Cirurgia plástica: É possível se recuperar em 24h? Freepik

A ideia de “recuperação em 24 horas” tem ganhado cada vez mais espaço nas redes sociais e nos consultórios de cirurgia plástica, e, com ela, também surgem dúvidas e expectativas irreais.

Afinal, quais cirurgias realmente permitem uma retomada rápida da rotina? O que é seguro? E quais cuidados seguem sendo indispensáveis, mesmo quando o paciente se sente bem logo no primeiro dia? Segundo a cirurgiã plástica Carine Barreto, o termo “24h” precisa ser entendido com responsabilidade. “Existe, sim, um avanço enorme em técnicas cirúrgicas e no pós-operatório, mas é fundamental esclarecer: recuperar em 24 horas não significa estar curado, e sim ter condições de retomar atividades cotidianas com mais conforto e menos limitação”, explica.

De acordo com a especialista, o que mudou nos últimos anos foi a combinação entre técnicas menos traumáticas e minimamente invasivas aliadas a anestesias mais seguras, melhor controle de dor e protocolos pré e pós-operatórios bem estruturados. “Hoje conseguimos reduzir o inchaço, melhorar a mobilidade do paciente e diminuir a dor já no primeiro dia, desde que haja indicação correta e um planejamento bem feito”, afirma Carine.

Quais cirurgias podem ter recuperação mais rápida?

Carine Barreto destaca que alguns procedimentos costumam permitir retorno precoce a tarefas leves, com menos impacto na rotina, especialmente quando feitos com técnicas modernas e acompanhamento rigoroso. Entre os exemplos, estão:

  • Prótese de mama (aumento mamário), na maioria dos casos;
  • Mamoplastia (como lifting de mama), dependendo do perfil e da extensão;
  • Lipoaspiração e lipo HD, em áreas menores e com protocolos de recuperação acelerada;
  • Procedimentos faciais, como blefaroplastia (cirurgia das pálpebras) e mini lifting;
  • Cirurgias associadas a técnicas de menor sangramento e menor descolamento;

“Existem cirurgias em que o paciente já consegue levantar os braços, caminhar, tomar banho e fazer movimentos básicos com autonomia no dia seguinte. Mas isso não quer dizer que ele esteja liberado para academia, viagens longas ou esforço físico intenso”, alerta Carine.

O que realmente significa “estar recuperado em 24h”?

Para a cirurgiã, o termo é muitas vezes usado de forma equivocada. “A recuperação acelerada significa que o paciente pode ter alta precoce, menos dor e mais disposição para atividades do dia a dia. Mas o corpo ainda está em processo inflamatório e de cicatrização, o que exige disciplina”, reforça.

Ela explica que, mesmo com boa evolução no primeiro dia, ainda há etapas essenciais no pós-operatório: controle de edema, prevenção de complicações e acompanhamento da cicatrização.

“É muito comum o paciente se sentir bem nas primeiras 24 ou 48 horas e achar que já pode fazer tudo. Esse é um dos maiores perigos, porque o risco de abrir pontos, aumentar sangramento ou prolongar o inchaço cresce quando a pessoa ignora as orientações”, pontua.

A especialista também faz um alerta sobre promessas fáceis em redes sociais. “O termo ‘24 horas’ não pode ser propaganda. Ele precisa vir acompanhado da escolha do profissional realmente habilitado, explicação técnica e de limites claros”, afirma.

O que é verdade e o que é mito

Verdade: há técnicas que permitem menos dor e mais mobilidade já no dia seguinte
Verdade: o paciente pode ter alta precoce, fazer atividades leves e caminhar com segurança em 24h;
Mito: em 24h o corpo está recuperado e liberado para qualquer atividade;
Mito: o pós-operatório é “zero dor” ou “sem inchaço”;
Verdade: disciplina e acompanhamento fazem toda a diferença no resultado final;

“A cirurgia termina no centro cirúrgico, mas o resultado nasce no pós-operatório. Recuperação rápida é uma conquista, mas só é segura quando existe indicação correta e responsabilidade”, finaliza Carine Barreto.