Carnaval e libido feminina: o que muda na prática após os 40? Freepik

Transição para a menopausa traz impactos físicos e emocionais que podem afetar a vida sexual da mulher

Carnaval, calor, maior exposição do corpo e interação social intensa: essa combinação desperta o aumento do desejo sexual. Mas será que a libido realmente se comporta da mesma forma em todas as fases da vida? A resposta é não, e entender essas mudanças é essencial para viver a sexualidade de forma saudável e sem culpa.

De acordo com a ginecologista Caroline Alonso, a libido feminina é influenciada por fatores hormonais, emocionais, físicos e relacionais, que variam com a idade e o momento de vida. “Existe um mito de que o desejo sexual diminui obrigatoriamente com o passar dos anos. Na prática, o que acontece é uma mudança no padrão de resposta e nos gatilhos de excitação”, explica a médica.

Aspectos emocionais, qualidade do sono, nível de estresse, saúde mental, relacionamento e autoimagem corporal têm papel decisivo. Muitas mulheres, inclusive, relatam melhora na vida sexual nessa fase. “Existe, com frequência, mais autoconhecimento, comunicação e segurança sobre o próprio corpo e preferências. Isso pode favorecer o prazer”, destaca Caroline Alonso.

O cansaço importa

No período de Carnaval, a quebra de rotina costuma ser intensa, com menos horas de sono, maior consumo de álcool, alimentação irregular e baixa ingestão de água, e tudo isso afeta diretamente o funcionamento do organismo. Do ponto de vista fisiológico, cansaço, desidratação e excesso de bebida alcoólica podem reduzir a excitação, a lubrificação e a sensibilidade, prejudicando a resposta sexual.

Para mulheres que estão na transição menopausal, esse cenário pode intensificar ainda mais sintomas já existentes, como ressecamento vaginal, ardor ou desconforto durante a relação. Esses sinais não devem ser encarados como algo “normal da idade” sem avaliação: há opções de cuidado e tratamento que melhoram o conforto e a qualidade da vida sexual.

A ginecologista reforça que existem recursos terapêuticos eficazes, que vão desde hidratantes e lubrificantes vaginais até terapias hormonais, quando indicadas, além de abordagens comportamentais e multidisciplinares. A avaliação individual é fundamental.

“O principal recado é que desejo não tem prazo de validade. Se houver incômodo com a queda de libido, dor ou dificuldade de excitação, vale procurar acompanhamento. Sexualidade saudável também é qualidade de vida, em qualquer idade e em qualquer época do ano”, conclui a médica.