Freepik
Especialista explica como diferenciar mudanças naturais no contorno capilar da alopecia e quais cuidados são indicados em cada fase
Alterações na região frontal do cabelo costumam estar entre as primeiras mudanças percebidas quando surge a preocupação com queda capilar. A dúvida não é à toa. Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que cerca de 42 milhões de brasileiros convivem com algum grau de perda de cabelo, número divulgado em 2023. Ainda assim, nem toda mudança no contorno capilar representa um problema clínico. Entretanto, isso torna essencial compreender quando a alteração observada é apenas estética e quando passa a exigir atenção especializada. Para esclarecer esse limite, a médica Angela Helena Perretto, responsável técnica da Homenz, rede de saúde e estética masculina, explica quais sinais merecem atenção e como agir em cada situação.
Quando o afinamento indica perda progressiva
O sinal de alerta surge quando há evolução contínua da rarefação na região frontal. “Na alopecia androgenética, o afinamento dos fios acontece de forma gradual e progressiva. O cabelo passa a nascer mais fino e espaçado, até que algumas áreas deixam de produzir fios”, detalha a médica. Outro indicativo importante é a perda de densidade, quando a cobertura capilar diminui e a pele do couro cabeludo começa a ficar visível.
Quando ainda existem folículos ativos, é possível intervir de forma conservadora. “Em fases iniciais, abordagens clínicas ajudam a reduzir a queda e a retardar a progressão do quadro, preservando o cabelo que ainda existe”, orienta. Esses cuidados não recuperam áreas já sem fios, mas contribuem para estabilizar a condição e evitar avanços mais rápidos.
Em que casos o transplante se torna a melhor alternativa
O transplante capilar passa a ser indicado quando a região frontal já não responde a tratamentos clínicos e há perda definitiva dos folículos, ou seja, quando os fios deixam de crescer mesmo com estímulos. Esse cenário costuma ficar evidente quando o couro cabeludo passa a aparecer, os fios remanescentes estão muito finos e a densidade não se recupera. “Indicamos o transplante quando não há mais atividade folicular suficiente na área afetada. Nesses casos, o fio não volta a crescer espontaneamente. A única forma de repor cabelo é redistribuindo folículos saudáveis de outra região”, explica a especialista.
Os médicos retiram os folículos da região posterior da cabeça, área menos sensível à calvície, e os implantam nas áreas com falhas, respeitando o desenho natural do cabelo, o que favorece um resultado mais duradouro. Atualmente, a técnica mais utilizada é a FUE (Follicular Unit Extraction), que extrai as unidades foliculares uma a uma, permitindo maior precisão, cicatrizes discretas e recuperação mais rápida. A indicação do procedimento deve sempre considerar avaliação médica e expectativa realista de resultado.
Procure um profissional ou clínica especializada ao notar a progressão do afinamento ou a redução do volume capilar. “A avaliação precoce permite identificar o estágio da perda e definir a melhor estratégia para cada caso, com resultados mais satisfatórios”, conclui.