Falta de libido? Saiba como identificar a razão Falta de libido? Saiba como identificar a razão

Quando falamos em libido, muitos pensam se tratar de um impulso momentâneo, aquele desejo que surge já no momento de intimidade. Quando, na verdade, ela é um termômetro da saúde física e emocional. Em relacionamentos que já duram um tempo, a queda da libido pode acabar potencializada não apenas por fatores biológicos ou de estresse, mas também pela rotina e pela previsibilidade. A familiaridade, embora traga conforto, muitas vezes apaga a novidade e a tensão erótica que alimentam o desejo.

Quando a chama do desejo diminui, isso pode ser sinal de desequilíbrios hormonais, altos níveis de estresse ou então um estilo de vida que está exigindo atenção e ajustes. O lado positivo é que, por meio de práticas conscientes e dedicadas ao corpo e à mente, é totalmente possível reativar e nutrir o desejo sexual.

Múltiplos fatores envolvidos na falta de libido

Segundo o médico nutrólogo Nataniel Viuniski, “a saúde e a qualidade da vida sexual estão relacionadas com as emoções, hormônios, circulação, força muscular e, sobretudo, com os hábitos de vida — como alimentação, exercícios e a forma de lidar com as situações do dia a dia”. Por isso, trabalhar a libido envolve tanto ajustes na rotina quanto uma mudança na forma como encaramos o nosso próprio desejo.

A grande maioria das pessoas espera pelo desejo sexual espontâneo, aquele que surge “do nada”. No entanto, a psicóloga, terapeuta sexual e educadora em sexualidade Ana Canosa explica que é preciso desmistificar essa ideia. Especialmente em momentos da vida em que o desejo pode estar diminuído — um sintoma relatado, por exemplo, por 62% das mulheres durante o climatério e a menopausa. 

A chave é aprender a ativar o desejo responsivo, que “surge em resposta a estímulos”, como sugere a profissional. “É fundamental identificar quais cenários eróticos, toques ou fantasias despertam a excitação. Ler literatura erótica pode ser uma ferramenta interessante para começar a criar um cenário mental que leve à excitação física. É crucial não encarar o sexo como obrigação. Se o desejo não está presente espontaneamente, o foco deve ser criar as condições para que ele surja a partir da estimulação”, esclarece Ana.

A rotina pesa

Há ainda um outro fator que pode interferir diretamente nos níveis de libido: a nossa rotina. “O estresse, a alimentação, a qualidade do sono, os níveis hormonais e até a exposição excessiva às telas podem impactar diretamente o apetite sexual. Portanto, pequenos ajustes no estilo de vida podem trazer grandes mudanças na libido”, pontua a psicóloga.

A alimentação, por exemplo, desempenha um papel central. Como explica o nutrólogo Nataniel Viuniski, uma dieta nutritiva, rica em gorduras boas (ômega 3), vegetais e fibras, como a Dieta Mediterrânea, ajuda a regular os hormônios essenciais, assim como os alimentos ricos em zinco, magnésio e arginina (como ostras, nozes, sementes e chocolate amargo) são conhecidos por potencializar a saúde sexual.

“Por outro lado, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e dietas muito restritivas podem inflamar o corpo e comprometer a produção hormonal, sendo que dietas low-fat podem até diminuir os níveis de testosterona — hormônio diretamente ligado à libido”, alerta o médico.

É preciso ser ativo

Além da rotina, o movimento também é um ponto crucial para manter os níveis de libido. Isso porque o sedentarismo diminui a circulação sanguínea, essencial para a resposta sexual. A atividade física moderada e regular contribui diretamente para a melhora da libido. Segundo Nataniel, “atividades feitas pouco antes da relação — como uma caminhada rápida ou pedalar — parecem aumentar a excitação, pois estimulam o sistema nervoso e hormônios ligados ao desejo.” Além disso, ele orienta que exercícios que fortalecem o assoalho pélvico, como o pilates ou os exercícios de Kegel, são comprovadamente úteis, pois “ajudam a melhorar a resposta de excitação e a qualidade do orgasmo” ao fortalecerem os músculos da região.

Não menos importante, o profissional pontua que saúde mental é inseparável do desejo. Ou seja, estresse, ansiedade e depressão levam ao aumento crônico do cortisol, que inibe a excitação e bloqueia a produção de hormônios sexuais. Nesse caso, estratégias como meditação, respiração profunda e mindfulness são poderosas para reduzir o estresse e equilibrar o sistema nervoso, como indica o médico. “Assim como cuidamos do corpo, precisamos cuidar da mente. Uma rotina que inclua momentos de descanso, lazer e autocuidado é essencial para preservar a saúde sexual.”

É preciso adaptar, e não há problema nisso

Considerando tudo isso, para garantir uma experiência satisfatória, é fundamental que seja feita uma adaptação às respostas do corpo. Afinal, com o tempo, as respostas sexuais podem ficar mais lentas, e por isso Ana Canosa sugere que os estímulos corporais não genitais devem ser intensificados para favorecer a excitação. “É importante explorar e valorizar outras zonas erógenas”, afirma.

A lubrificação também não deve ser negligenciada. “Abuse dos lubrificantes, tanto para o estímulo externo do clitóris quanto para a penetração. E para mulheres que têm maior dificuldade em alcançar o orgasmo, o uso de acessórios como vibradores ou sugadores de clitóris pode ser uma excelente opção, facilitando a chegada ao clímax.”

É importante entender que o desejo sexual não deve ser encarado como um mistério, e sim como um indicador de saúde e equilíbrio. Portanto, recuperar esse desejo passa por equilibrar o corpo e a mente para que o prazer volte a ser natural. Se a queda persistir, buscar orientação médica e exames pode ser essencial para identificar e tratar possíveis causas subjacentes. “O segredo está na harmonia — entre corpo, mente, alimentação e rotina”, conclui Ana Canosa.