Magra, sim. Flácida também? O efeito íntimo do emagrecimento Freepik

A ginecologista Fernanda Nassar, especialista em estética íntima, explica como a perda de peso acelerada pode impactar a sustentação e a firmeza da estrutura vulvar

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis à base de agonistas do GLP-1 como Ozempic e Mounjaro, vem acelerando a perda de peso e redefinindo os protocolos de tratamento da obesidade. Mas, para além da redução de medidas, relatos de pacientes apontam um efeito pouco discutido: alterações na firmeza da região íntima feminina. A ginecologista Fernanda Nassar explica que a flacidez pode estar associada à perda rápida de gordura subcutânea, tecido que também compõe os grandes lábios, e à consequente diminuição da sustentação e elasticidade local.

Dados do estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021, mostraram que pacientes tratados com semaglutida apresentaram perda média de aproximadamente 15% do peso corporal em 68 semanas. Já pesquisas clínicas com tirzepatida, divulgadas no The Lancet em 2022, apontaram reduções que ultrapassaram 20% do peso inicial em parte dos participantes. Embora os resultados representem um avanço no controle da obesidade, a perda significativa de tecido adiposo pode impactar regiões que dependem desse volume para sustentação, como os grandes lábios vulvares.

Gordura, colágeno e fibras elásticas compõem a vulva e garantem proteção mecânica, firmeza e conforto. Quando há emagrecimento acelerado, especialmente sem tempo adequado para adaptação cutânea, pode ocorrer redução do volume local, afinamento da pele e aspecto de flacidez. O fenômeno segue a mesma lógica observada em face, braços e abdômen após grandes perdas ponderais.

Não é só estética

Segundo Fernanda, o impacto ultrapassa a questão da aparência e pode repercutir em desconforto para a paciente. “O tecido adiposo compõe a região íntima e exerce papel estrutural e protetivo. Quando ocorre uma perda de peso acelerada, essa gordura também se reduz. Isso pode resultar em flacidez aparente e na sensação de menor sustentação local”, explica.

A médica, especialista em estética íntima, ressalta que a queixa tem se tornado mais frequente nos consultórios. “Além da alteração no contorno dos grandes lábios, algumas mulheres relatam desconforto durante a relação sexual e percepção de pele mais fina. Isso acontece porque há redução do volume e possível diminuição da elasticidade local”, afirma.

Embora ainda não existam estudos específicos que quantifiquem a incidência de flacidez íntima associada diretamente aos agonistas de GLP-1, pesquisas na área de ginecologia regenerativa indicam que tecnologias como radiofrequência e bioestimuladores de colágeno promovem melhora da elasticidade e firmeza vulvar em pacientes com flacidez decorrente de envelhecimento ou grande perda de peso.

Para Fernanda Nassar, a orientação é individualizar o acompanhamento. “O tratamento da obesidade é fundamental para a saúde global, mas é importante que a paciente seja acompanhada de forma multidisciplinar. Quando há perda ponderal importante, podemos lançar mão de terapias que estimulam colágeno e ajudam a restaurar a firmeza da região íntima. Sempre com segurança e indicação adequada”, conclui.