A atividade física é um dos pilares mais importantes para o tratamento, mas algumas são mais eficazes que outras
Caracterizado pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e braços, o lipedema atinge cerca de 11% das mulheres em todo o mundo, segundo a Sociedade Internacional de Linfologia. Para além da questão estética, a condição é uma doença crônica que exige uma abordagem multidisciplinar, em que a atividade física surge como um dos pilares fundamentais do tratamento. No entanto, para quem convive com a sensibilidade e o inchaço típicos da doença, surge a dúvida: qualquer exercício é válido? A resposta curta é: não. O segredo está no ajuste fino da intensidade e do tipo de atividade.
Pros e contras da inflamação
O exercício físico funciona como um remédio natural, mas a dose precisa ser exata. “O exercício físico tem um efeito anti-inflamatório. Isto é, a prática tem a capacidade de reduzir a inflamação responsável pelo agravamento dos sintomas do lipedema. Por isso é tão importante”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita. Por outro lado, o excesso pode produzir o resultado oposto. Exercícios de altíssima intensidade, que geram muitas microlesões musculares para o ganho de massa, podem inicialmente elevar a inflamação local. “Para que o exercício tenha um efeito anti-inflamatório, é preciso que a intensidade seja muito bem ajustada, principalmente em fases graves da doença”, alerta a médica.
Os melhores exercícios para o lipedema
De acordo com a especialista, as atividades de baixo impacto são as campeãs para quem está começando ou enfrenta quadros de dor:
- Hidroginástica: a grande favorita. “Além de ser um exercício de baixo impacto, pois a água reduz o impacto nas articulações, a hidroginástica ainda promove uma drenagem linfática natural, ajudando a diminuir o inchaço e proporcionando conforto”, aconselha Aline.
- Ciclismo e caminhada: excelentes para melhorar a circulação e auxiliar no controle do peso, sem sobrecarregar as articulações ou a marcha, que pode estar alterada em graus mais avançados da doença.
- Natação: assim como a hidroginástica, utiliza a pressão hidrostática para auxiliar no retorno linfático.
Equilíbrio de dentro para fora
Para potencializar os resultados dos treinos, o olhar sobre o metabolismo é indispensável. Renata Domingues de Nóbrega, médica nutróloga, defende a abordagem ortomolecular para buscar o equilíbrio nutricional. “O lipedema é uma condição complexa que exige uma abordagem multifacetada. Ao focar na correção de desequilíbrios metabólicos e nutricionais, é possível proporcionar alívio dos sintomas e melhorar a qualidade de vida”, destaca.
Ela reforça ainda que o sucesso da atividade física depende de um ‘terreno’ biológico preparado, o que inclui:
- Dieta anti-inflamatória: foco em ômega-3 (peixes), frutas e vegetais, evitando processados e açúcares.
- Hidratação: no mínimo 2 litros de água por dia para facilitar a drenagem.
- Suplementação Estratégica: antioxidantes como vitamina E e coenzima Q10 ajudam a reduzir o estresse oxidativo que o exercício pode gerar.
Tratamento do lipedema
Em outras palavras, o tratamento do lipedema é dinâmico. À medida que a inflamação cede e o manejo da dor melhora, é possível — e recomendado — evoluir para atividades mais intensas. “Conforme diminuímos a inflamação, é possível aumentar a intensidade e incluir outros tipos de atividade física, como a musculação, pensando, inclusive, na melhora estética”, afirma Aline Lamaita.
Um desafio comum, porém, é a rigidez da fáscia (tecido que recobre os músculos), que pode dificultar o ganho de massa magra. Nesses casos, tecnologias como o campo eletromagnético podem ser aliadas, estimulando contrações intensas que promovem hipertrofia e ajudam no gasto calórico de forma otimizada.
Antes de iniciar qualquer protocolo, consulte um especialista para uma avaliação da sua marcha e grau da doença. O uso de meias de compressão e a realização de fisioterapia também podem ser recomendados para gerenciar a jornada com mais segurança.