Gabz fala sobre Eduarda, sua personagem em Coração Acelerado Créditos: Lucas Mavinga

Depois de protagonizar Mania de Você, a atriz volta às telinhas em horário nobre como Eduarda, no folhetim das sete

Aos 27 anos, a carioca de Irajá, Gabz, vive um momento de consagração na teledramaturgia brasileira. Após o sucesso como protagonista de Mania de Você (2024), a atriz e cantora volta a ocupar o horário nobre, desta vez às 19h, na pele de Eduarda, a jovem que sonha em conquistar o Brasil através do sertanejo na novela Coração Acelerado, da TV Globo.

Diferente de outros talentos que chegam ao estrelato às pressas, Gabz carrega uma bagagem sólida. Começou como atriz mirim em produções como Xuxa em Sonho de Menina (2007) e Ciranda de Pedra (2008), mas foi nas ruas que lapidou todo esse talento: foi a primeira mulher a vencer o Slam Grito Filmes em 2017.

A música como ferramenta

Apesar de Eduarda buscar o sucesso no universo sertanejo, Gabz revela que a estrutura para criar a personagem veio de suas raízes no hip-hop. Segundo ela, a vivência nas batalhas de poesia e na música urbana permitiu desenvolver um olhar mais aguçado sobre a realidade. “Acredito que minha formação no Slam me moldou como artista. O hip-hop me proporcionou uma vivência intensa nas ruas, o que me permitiu desenvolver um olhar atento e observador, e essa bagagem foi crucial para conceber a personagem”, afirma a atriz.

Para o mais recente papel, a atriz precisou mergulhar no universo de Goiás para entender a realidade das mulheres que tentam a sorte no gênero. Embora o ritmo seja diferente do seu repertório autoral — que inclui singles como Do Batuque ao Bass —, Gabz encontrou um ponto em comum ao enxergar a música como motor da existência. “A música é a força motriz da minha vida. A primeira coisa que imaginei para compor a Eduarda foi essa característica: a música como essência. Ela [Eduarda] concebe a vida de forma musical, assim como eu. Escuto música 24 horas por dia”, revela.

Do Rock in Rio aos estúdios da Globo

Com passagens marcantes pelo Rock in Rio (Espaço Favela) e colaborações com nomes como Baco Exu do Blues e Gabriel o Pensador, Gabz afirma lidar bem com a adrenalina. Para ela, interpretar uma cantora na ficção traz uma “nostalgia gostosa” dos palcos reais. “A novela me trouxe à tona a saudade do palco e a alegria de atuar. A diferença reside no ambiente: na novela, a atuação se desenvolve em um contexto mais controlado”, explica. Ela pontua ainda que, apesar de já ter pisado em grandes festivais, espera que a trajetória de Eduarda a leve a reviver essas sensações em cena.

Entre obra aberta e fechada

Com um currículo que transita entre o streaming (Da Ponte Pra Lá, da Max; Temporada de Verão, da Netflix) e a TV aberta, Gabz fala também sobre as diferenças técnicas de seus trabalhos. Ela conta que, enquanto nas séries a imersão no roteiro é meticulosa e o arco dramático é conhecido desde o início, a novela exige uma prontidão quase instintiva. “Na obra aberta, evito me aprofundar tanto [nos detalhes do futuro], pois as surpresas são constantes. É preciso estar aberto às mudanças. Já na obra fechada, o mergulho nos detalhes é mais intenso, e eu adoro essa pesquisa aprofundada.”

Por fim, questionada sobre o que a Gabz mirim diria ao vê-la protagonizando dois projetos seguidos na maior emissora do país, a artista é enfática: “Diria que se dedicasse, sem hesitar. A incentivaria a aproveitar cada momento do processo e a se divertir, inclusive nos momentos de dificuldade.”