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Clima seco, banhos demorados e excesso de limpeza favorecem ressecamento, coceira e irritações
Uma área de baixa umidade avançou sobre 14 estados e alcançou todas as regiões do Brasil em julho, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia. A combinação entre ar seco, temperaturas mais baixas e mudanças nos hábitos de higiene aumenta a perda de água e da oleosidade natural da pele. Para Alex Rebelo, gerente nacional de trade marketing da Cottonbaby, esse cenário também leva os consumidores a rever a rotina de autocuidado e buscar alternativas mais suaves.
“Durante os períodos de frio, é comum que as pessoas tomem banhos mais quentes e, em alguns casos, mais demorados. Essas mudanças podem favorecer a remoção da oleosidade natural. Como consequência, o consumidor tende a dar mais atenção à hidratação, principalmente após o banho e antes de dormir”, afirma Rebelo.
Entre outros componentes, lipídios formam a barreira cutânea, ajudando a manter a água no organismo e a proteger o corpo contra agressões externas. Quando algo compromete essa estrutura, podem surgir aspereza, descamação, vermelhidão, coceira e pequenas fissuras. A dermatologista Paula Sian explica que o frio, o vento e a baixa umidade já favorecem o ressecamento, mas os hábitos adotados durante a estação podem agravar o quadro. O principal problema não está em uma única prática, mas na soma de banhos quentes, uso excessivo de sabonetes, atrito com buchas, pouca hidratação e maior exposição das mãos e do rosto.
“A barreira de proteção da pele é formada por uma gordura microscópica que não enxergamos. Quando existe o ressecamento causado pelo frio e, ao mesmo tempo, a pessoa toma banhos quentes e demorados, essa camada acaba sendo retirada”, diz a médica.
Rosto e mãos sentem primeiro
As regiões mais expostas, como rosto e mãos, costumam apresentar os primeiros sinais. As lavagens frequentes, o contato com sabonetes e o uso de álcool em gel podem intensificar o desconforto nas mãos. Braços e pernas, naturalmente mais secos, também tendem a ficar ásperos e esbranquiçados. O couro cabeludo pode ser afetado pela temperatura elevada da água. Nas costas, permanecer por muito tempo sob o jato quente do chuveiro pode provocar coceira localizada. Quando a pessoa começa a se coçar, a irritação pode evoluir para riscos, feridas, crostas e secreção.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda evitar banhos quentes e prolongados, o excesso de sabonete e o uso de buchas durante os meses frios. A orientação é reforçar a hidratação logo após o banho, quando a superfície ainda está levemente úmida.
Segundo Paula Sian, o banho deve ser morno e rápido, com duração aproximada de cinco minutos. Você pode concentrar o sabonete nas regiões de maior transpiração e odor, sem a necessidade de esfregar todo o corpo.
“A pele se renova naturalmente. Não existe a necessidade de usar bucha para arrancar a camada que parece estar morta. Quando ela fica esbranquiçada e áspera, muitas pessoas acreditam que precisam esfregar mais, mas o cuidado necessário é hidratar”, explica.
Produtos mais suaves ganham espaço
A mudança também aparece no comportamento de compra. De acordo com Alex Rebelo, itens relacionados à hidratação e à preservação da barreira cutânea passam a receber mais atenção, assim como produtos para as mãos e fórmulas de limpeza mais suaves.
“O consumidor percebe rapidamente os efeitos do frio, como pele repuxando, áreas esbranquiçadas, descamação e coceira. A compra deixa de estar ligada somente à estética e passa a atender uma necessidade de conforto e manutenção do cuidado diário”, afirma o executivo.
A procura por praticidade também cresce. Entre os hábitos que ganham força estão o uso de hidratante logo após o banho, a reaplicação nas mãos durante o dia e a preferência por itens simples de incorporar à rotina. A indústria acompanha históricos de vendas, previsões climáticas, informações dos varejistas e demandas recebidas pelos canais de atendimento para identificar essas mudanças. Os dados ajudam a ajustar produção, estoques e distribuição diante de ondas de frio localizadas ou registradas fora dos períodos tradicionalmente esperados.
“A suavidade passa a ser mais valorizada. Com a pele seca ou sensibilizada, existe uma tendência de procurar opções que limpem sem deixar sensação de ressecamento, além de fórmulas associadas à hidratação e ao cuidado da barreira cutânea”, diz Rebelo.
Hidratação deve fazer parte da rotina
Para uma pele sem irritação ou dermatite, Paula recomenda hidratação diária, preferencialmente depois do banho. Pessoas com ressecamento intenso ou doenças dermatológicas podem precisar reaplicar o produto duas ou três vezes ao dia, conforme avaliação médica.
Você deve aplicar uma quantidade suficiente para cobrir a região e a pele absorver, sem deixar excesso sobre o corpo. Durante o frio, versões mais cremosas e com componentes como ceramidas, glicerina e dexpantenol funcionam melhor do que fórmulas leves usadas no verão, dependendo do tipo de pele.
Crianças, idosos e pessoas com dermatite exigem atenção maior porque apresentam uma superfície naturalmente mais fina, seca ou sensível. Banhos curtos, água morna, menor quantidade de sabonete e hidratação frequente ajudam a reduzir o risco de irritações.
A recomendação é procurar um dermatologista quando o ressecamento não melhorar com os cuidados diários ou quando surgirem coceira persistente, manchas, ardência, dor, feridas e secreções. “Muitas vezes, a coceira do inverno está mais relacionada ao excesso de limpeza, à temperatura elevada da água e ao tempo prolongado no banho do que a uma doença. Se a pessoa não muda esses hábitos, o quadro tende a piorar”, finaliza Paula.