Alana Cabral | Foto: Guilherme Lima
Alana Cabral tem apenas 18 anos, mas já vive um momento apoteótico em sua carreira de atriz. Pela primeira vez ocupando a faixa das nove da TV Globo, ela dá vida à Joélly, uma das protagonistas de Três Graças, novela de Aguinaldo Silva, personagem que, como ela mesma define, “a colocou em outro lugar de responsabilidade e maturidade artística”. “Eu sinto que é um marco muito importante, sim. Mas eu também gosto de pensar que cada trabalho foi um degrau até aqui”, compartilha a jovem paulistana.

O ápice de uma trajetória de desafios
Joélly é a mais nova da geração de mulheres de sua família. Vivendo sob a proteção de Gerluce (Sophie Charlotte) e Lígia (Dira Paes), sua mãe e avó, respectivamente, ela vive uma vida simples e cheia de percalços. No desafio mais recente, ela não teve nem a chance de ver e segurar seu bebê recém-nascido. Sequestrada e após o parto de emergência, feito em uma clínica clandestina, Samira (Fernanda Vasconcellos) assume o controle e decide levar o bebê consigo, abandonando Joélly sozinha. A vilã entrega a menina para Lena (Barbara Reis) e Herculano (Leandro Lima) – casal que se comprometeu a comprar a criança – e os orienta a fugir.
Para Alana, a delicadeza da cena exigiu muito cuidado para ser gravada. “Eu sentia uma responsabilidade enorme de contar essa história com verdade, porque infelizmente isso ainda acontece com muitas mulheres”, conta. O comprometimento da equipe fez toda a diferença para trazer verdade à atuação. “O clima no set foi determinante para que pudesse pensar muito na dor daquela mãe que é privada de algo tão sagrado.”

Alana Cabral vive papel tão comum na vida real
Esse acontecimento foi o ápice de toda uma trajetória de sofrimento vivida pela personagem de Alana, papel que, segundo ela, a atravessou profundamente em muitas arestas. “Eu sabia que não podia acessar esse lugar só pela emoção do momento, então fiz um preparo muito cuidadoso, com muita conversa, leitura e estudo. Eu procurei entender a dor dela sem julgar as escolhas que ela faz”, conta a atriz. “A maior dificuldade foi justamente essa: não tentar ‘salvá-la’, mas respeitar a humanidade dela, mesmo nas fragilidades”, completa.
De fato, a realidade da personagem pede cuidado para ser representada, prova disso são os inúmeros relatos que Alana Cabral recebe de jovens que se identificam com a solidão e as dificuldades de Joélly. “Isso é uma das coisas que mais me tocam”, afirma. “Muitas meninas me escrevem falando sobre abandono, sobre se sentirem invisíveis, sobre terem que amadurecer cedo demais. Eu sempre tento responder com carinho, porque eu sei que às vezes a pessoa só quer se sentir ouvida”, compartilha a paulistana.
(destaque) “A Joélly carrega não só a dor dela, mas uma herança emocional. Acho que a novela provoca essa reflexão: até quando esse ciclo precisa se repetir?” (destaque)

De olho no futuro
Paralelo ao sucesso em Três Graças, Alana segue traçando planos para seu futuro na arte. Ela conta que realmente ama personagens que carregam dilemas profundos, como Joélly, mas seu maior desejo é que “boas personagens a encontrem”. “E, claro, desejo poder trabalhar com diretores que tenham um olhar sensível para personagens femininas sempre vai ser algo vivo dentro de mim”, completa.