Existe uso seguro de anabolizantes? Entenda os perigos reais
Para algumas pessoas, tabu, para outras, um estilo de vida. O uso de anabolizantes tem sido um dos problemas mais crescentes na sociedade que busca o corpo perfeito a qualquer custo. A custo até da própria vida. Muito popular entre atletas na década de 60 e 70 para melhorar o desempenho nas competições, os esteroides têm se vendido como grandes aliados do apelo estético ‘atlético’ muito desejado nos dias de hoje. Além disso, hoje em dia há uma facilidade muito grande em adquirir esse tipo de produto, especialmente pela internet.
Mas o que muitas pessoas ignoram – ou não tem total ciência – é que essas substâncias, derivadas sintéticas da testosterona, podem acarretar diversos problemas. Problemas estes que vão desde alterações no humor, até infertilidade e doenças cardiovasculares.
Cada vez mais
Não há um registro exato do número de pessoas que fazem uso dos esteroides anabolizantes. Mas, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a estimativa é que 3,3% da população no país está inserida nessa realidade. Sendo 6,4% homens e 1,6% mulheres – seja usuária ocasional ou frequente -, até 18,4% entre esportistas recreacionais, 13,4% entre atletas, 12,4% entre a população carcerária e 2,3% entre estudantes do ensino médio.
Proibido
No Brasil, a Lei nº 6.368/1976 e pela ANVISA, que controlam substâncias com potencial de dependência, proíbem o uso e a venda de anabolizantes esteroides sem prescrição médica. A comercialização sem autorização se caracteriza como crime, e só há permissão para uso o com prescrição médica para tratamentos específicos.
O que são, de fato, os anabolizantes?
Ao contrário do que muitos imaginam, essa substância, a princípio, não foi desenvolvida com finalidade de desempenho e muito menos estética. Os esteroides anabolizantes (EA) são drogas que têm como função principal a reposição de testosterona (hormônio responsável por características que diferem homem e mulher).
Marcial Pereira, Médico do Esporte, explica que, originalmente, recomendava-se esteroides apenas para fins terapêuticos que necessitem reverter os baixos níveis de testosterona, uma condição conhecida como hipogonadismo. Ou então, para pessoas que estão acamadas e/ou perderam grande quantidade de peso, massa e de força muscular. “Essas situações envolvem pessoas internadas a longo tempo, como as que têm queimaduras graves, ou pessoas com a chamada caquexia ou sarcopenia, perda de peso e de força muscular”, exemplifica o especialista.
Porém, nem mesmo a indicação de um médico em casos de necessidade livra o paciente dos possíveis efeitos colaterais adversos, que podem ser agudos e rápidos, ou crônicos. Inclusive, Marcial destaca: “Não existe dose de segurança em termos de saúde relacionado ao uso de anabolizantes”.
Efeitos colaterais
Alterações de humor, comportamento irracional, maior agressividade e irritabilidade estão entre as ocorrências emocionais mais frequentes associadas ao uso de esteróides. Dentre os colaterais mais comuns no corpo, também estão a queda de cabelo, crescimento de pelos em mulheres, ginecomastia (aumento da glândula mamária) em homens, além da virilização em mulheres com o aumento de hipertrofia do clitóris. “A infertilidade ou esterilidade nos homens também pode ocorrer com o seu uso”, completa.
Estes citados, por si só, já deveriam despertar um sinal de alerta para quem pensa em usar os anabolizantes. Mas na verdade as consequências podem ser ainda piores – e por vezes até fatal. O médico do esporte Marcial Pereira expõe que também é preciso ter conhecimento dos riscos de doenças cardiovasculares, assim como alteração do perfil de colesterol com redução do colesterol bom, HDL, e um aumento do colesterol ruim, LDL. “O aumento da viscosidade sanguínea, chamado de hemoconcentração, aumenta os riscos de efeitos de fenômenos tromboembólicos, como a existência de trombose ou hematologia, também aumentando o risco de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e morte súbita”, alerta o profissional. Doenças renais e hepáticas também ganham mais chance de se desenvolver.
Anabolizante vicia!
Como qualquer outra droga, os esteróides também causam dependência emocional e psicológica nos usuários. Isso pode ser percebido através de sintomas como pensamento obsessivo sobre o corpo e o desempenho e medo de perder os resultados obtidos. Além disso, com o aumento da tolerância, surge a necessidade de usar doses maiores para ter um efeito que a pessoa deseja, o que torna o uso descontrolado. “Há uma preocupação excessiva com a musculação e com o físico, diminuindo a atenção em outros aspectos da vida, como relacionamento, trabalho, hobbies e atividades prazerosas. Tudo isso começa a ficar em segundo plano em relação ao corpo e à perfeição estética.”
É possível parar
E não é motivo de vergonha ou medo. Afinal, tem como contar com um acompanhamento médico para que esse processo aconteça de forma segura. Principalmente quando se pensa em restabelecer o mais rápido possível a produção natural e ideal de testosterona.
“O uso de anabolizantes causa uma supressão da produção natural de testosterona, pois o corpo, ao perceber o excesso dessa substância, reduz a própria produção. Quando o uso é interrompido, a produção de testosterona pode demorar a se normalizar”, explica o médico. Por isso, a atuação de uma equipe multidisciplinar é essencial para monitorar tanto a parte física, quanto a mental.
“Para chegar ao ápice de sua forma física, de uma forma natural e saudável, você precisa de acompanhamento médico, acompanhamento nutricional e de um bom preparador físico.”