Hábito frequente de coçar os olhos está entre os fatores que podem acelerar a progressão da doença
O Junho Violeta chama atenção para o ceratocone, uma doença ocular que provoca alterações progressivas na córnea e pode comprometer seriamente a visão quando médicos não a diagnosticam e tratam precocemente. Embora seja mais conhecido entre adolescentes e adultos jovens, o problema também pode surgir na infância, fase em que costuma apresentar uma evolução mais acelerada e exigir acompanhamento oftalmológico rigoroso.
Como a doença na córnea afeta a visão
A doença ocorre quando a córnea perde parte de sua resistência natural e passa a adquirir um formato irregular, prejudicando a passagem da luz e provocando distorções visuais. Com o avanço do quadro, atividades simples do dia a dia, como ler, estudar ou enxergar objetos à distância, podem se tornar cada vez mais difíceis. Segundo o oftalmologista Edison Geraissate, do CBV-Hospital de Olhos, “os casos que se iniciam na infância frequentemente apresentam uma evolução mais agressiva em comparação com aqueles que se manifestam mais tardiamente. Identificar o ceratocone em estágios iniciais da doença é muito importante para prevenir deficiências visuais graves.”
Sinais que merecem atenção
Um dos desafios é que os sinais nem sempre são percebidos rapidamente pelos pais ou responsáveis. Muitas crianças acabam se adaptando à perda visual gradual e nem sempre conseguem explicar que estão enxergando mal. Por isso, pais, responsáveis e profissionais de saúde devem investigar mudanças frequentes no grau dos óculos, dificuldade para acompanhar atividades escolares e queixas relacionadas à visão. “Os principais sintomas da doença estão na dificuldade de nitidez da visão. Mudança brusca de grau, principalmente aumento do astigmatismo, baixa de visão que não melhora totalmente com o uso de óculos e dificuldade de visão noturna estão entre os sintomas mais relatados”, explica o especialista.
Por que coçar os olhos é um risco?
Além dos fatores genéticos, especialistas alertam para um hábito bastante comum entre crianças: coçar os olhos repetidamente. O comportamento costuma estar associado a quadros alérgicos e pode contribuir para o agravamento do ceratocone ao longo do tempo. “Conscientizar os pequenos e seus pais sobre a importância de evitar o hábito de coçar os olhos é crucial. Pois esse comportamento pode acelerar a progressão da doença. À medida que o ceratocone avança, o uso de óculos pode não ser mais suficiente”, alerta o médico.
O diagnóstico precoce da doença na córnea
O diagnóstico é feito por meio de exames específicos capazes de avaliar a curvatura e a espessura da córnea. O que permite identificar alterações muitas vezes imperceptíveis durante um exame oftalmológico convencional. A detecção precoce é considerada uma das principais ferramentas para reduzir o impacto da doença na visão. Segundo Edison, “o controle é feito com óculos, lentes de contato gelatinosas ou rígidas e exames periódicos. Em casos mais graves ou quando o paciente não tolera as lentes rígidas, os médicos consideram procedimentos cirúrgicos para controlar a córnea.”
Por apresentar evolução rápida em muitos pacientes pediátricos, o ceratocone exige atenção redobrada dos pais e acompanhamento oftalmológico regular. Quanto mais cedo médicos identificarem a doença, maiores serão as chances de controlar sua progressão e preservar a qualidade visual ao longo da vida.