Fissuras nos mamilos: o que fazer e o que não fazer

Motivo de dor em muitas mamães, especialista explica como lidar com elas

Levante a mão aquela mãe que, mesmo antes de amamentar, já tinha pesadelos só de pensar nas fissuras mamilares. Pois é, fissuras mamilares, além de causarem muita dor, se não tratadas devidamente, são motivo de interrupção precoce da amamentação. É necessário saber que elas não são “normais”, mas são preveníveis e tratáveis. Luiza Drumond, médica obstetra, explica como evitar, prevenir e tratar as temidas fissuras mamilares.

Todo fissura é igual? Não. As fissuras mamilares podem ser classificadas em três níveis, e cada uma exige atenção específica.

Fissuras superficiais

São as mais comuns no início. Atingem apenas a camada mais externa da pele e podem vir acompanhadas de vermelhidão, ardência, sensação de arranhões e bastante desconforto. Costumam ser o primeiro sinal de que algo na amamentação, geralmente a pega, precisa ser ajustado.

Fissuras médias

Apresentam cortes mais evidentes e atingem a pele com maior profundidade. Às vezes sangram, doem durante e após a mamada e, quase sempre, estão associadas à pega inadequada, sucção rasa ou mamada em posição incorreta.

Fissuras profundas

São lesões intensas e muito dolorosas, podendo formar verdadeiras frestas abertas que sangram com frequência. Muitas mães relatam que não conseguem continuar a amamentação por causa da dor. Geralmente estão relacionadas a problemas importantes de técnica, ingurgitamento, freio lingual alterado no bebê ou ao uso de produtos que ressecaram o mamilo. Quanto mais profunda a fissura, mais urgente é corrigir a causa e iniciar um tratamento seguro.

Por que elas acontecem?

Diversos fatores podem machucar a pele delicada dos mamilos. Entre os mais frequentes estão:

  • Pega incorreta: o bebê precisa abocanhar grande parte da aréola, não apenas o mamilo.
  • Umidade excessiva: absorventes úmidos e falta de ventilação favorecem fissuras e candidíase.
  • Trauma repetitivo: posições inadequadas e atrito contínuo irritam a pele.
  • Ingurgitamento mamário: aréola muito dura dificulta a pega.
  • Produtos inadequados: sabão, álcool, buchas e cremes cosméticos retiram a proteção natural da pele.
  • Intervalos longos entre mamadas: o bebê chega com muita fome e suga com força excessiva.

O que fazer e o que não fazer

1. Deixe os seios respirarem

Manter mamilos úmidos prejudica a cicatrização. Troque absorventes sempre que necessário e, se possível, tome alguns minutos de sol na região. A umidade é inimiga da pele saudável.

2. Nada que não possa ir à boca do bebê

Uma regra simples e infalível: se você não colocaria na boca do recém-nascido, não coloque no mamilo.
Itens como casca de banana, mamão, pasta d’água e cosméticos podem causar alergia, infecção ou ressecamento.

3. Use lanolina 100% pura

O uso de lanolina 100% é o mais indicado pelos especialistas. É segura para o bebê, não precisa ser removida antes da mamada, repõe a barreira natural da pele e ajuda muito na cicatrização. Estudos mostram eficácia principalmente nas fissuras superficiais e médias. Por isso, é considerada o padrão-ouro para o cuidado dos mamilos.

4. Amamente em livre demanda

Oferecer o peito assim que o bebê demonstra sinais de fome evita sucção agressiva, reduz a irritação e melhora a pega.

5. Prepare a aréola quando ela estiver cheia

Se a aréola estiver muito dura, faça massagem ou ordenha manual para facilitar a pega e diminuir o trauma.

Como prevenir?

  • Garanta pega profunda desde o início.
  • Altere posições de amamentação.
  • Mantenha a aréola flexível (massagem antes da mamada).
  • Evite sabão, buchas ou produtos que ressecam a pele.
  • Mantenha os seios ventilados e absorventes sempre secos.
  • Evite longos intervalos entre mamadas.
  • Use lanolina 100% se houver sensibilidade.