Prática cresce e acende alerta para lesões ortopédicas
A areia favorece a saúde e o bem-estar, mas também evidencia desequilíbrios musculares que não surgem em quadras rígidas. Com a popularização de esportes como futvôlei, vôlei de praia e beach tennis, o que era lazer de fim de semana passou a aparecer com frequência nos consultórios médicos.
Mais do que praticar atividade física, especialistas reforçam a importância de treinar com segurança e preparo adequado. O ortopedista e traumatologista do esporte Bruno Canizares explica que o desejo de praticar um esporte precisa vir acompanhado de cuidados contínuos com o corpo. “Os esportes de areia exigem muito do corpo. A instabilidade do terreno, os movimentos rápidos e a ausência de uma superfície firme aumentam a demanda sobre músculos estabilizadores, joelhos e coluna lombar. Muitas pessoas subestimam esse impacto”, afirma o médico.
Impacto no joelho e na coluna lombar
Segundo o especialista, o joelho está entre as articulações mais afetadas. A areia dificulta a absorção do impacto e aumenta a carga sobre estruturas como o menisco, o que eleva o risco de lesões, especialmente quando não há fortalecimento adequado. A coluna lombar também merece atenção. Movimentos frequentes de torção e hiperextensão, comuns em saques, saltos e defesas, podem gerar sobrecarga quando o core (conjunto de músculos do tronco) não está bem preparado. “Lesões lombares crônicas muitas vezes não surgem de um único trauma, mas da repetição de microtraumas ao longo do tempo”, alerta Canizares.
Um estudo divulgado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que tempo de jogo, intensidade da prática e nível de experiência estão diretamente associados ao aumento do risco de lesão. A pesquisa indica que uma gestão inadequada da carga contribui para esse cenário. No beach tennis, por exemplo, as lesões mais frequentes ocorrem nos ombros, cotovelos, joelhos e pés, com predominância de tendinopatias e entorses.
Prevenção precisa fazer parte do treino
Para o especialista, a prevenção deve começar junto com a prática esportiva e não apenas após o surgimento da dor. Entre as principais recomendações estão:
- Fortalecimento do core e dos membros inferiores, com foco em estabilidade e controle do movimento;
- Aquecimento adequado antes das atividades;
- Progressão gradual da intensidade e do tempo de treino;
- Acompanhamento de educador físico ou fisioterapeuta esportivo.
“Esporte é saúde, mas também envolve riscos. Reduzir esses riscos passa por respeitar os limites do corpo e preparar o atleta de forma inteligente, seja ele amador ou profissional”, conclui o traumatologista do esporte.