Testosterona: 5 cuidados antes de pensar em reposição hormonal

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A automedicação com testosterona pode comprometer fertilidade, função sexual e saúde cardiovascular do homem

Cansaço, redução da libido, dificuldade para ganhar massa muscular bem como queda na disposição podem levar muitos homens a acreditar que precisam repor testosterona. Mas esses sintomas, isoladamente, não significam necessariamente a deficiência hormonal. E iniciar o uso do hormônio sem diagnóstico pode trazer consequências importantes para a saúde.

Para ser saudável e eficiente, a reposição de testosterona precisa ser indicada pelo médico
Para ser saudável e eficiente, a reposição de testosterona precisa ser indicada pelo médico

Testosterona não é para estética!

A preocupação com o uso indiscriminado da testosterona cresce em um cenário no qual, atualmente, esse hormônio passou a ser associado à estética e à performance física. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o uso de esteroides anabolizantes para fins estéticos, melhora do desempenho esportivo ou antienvelhecimento não possui respaldo científico.

“A testosterona não é um suplemento para melhorar disposição ou ganhar músculos. É um hormônio que interfere em diferentes funções do organismo e, por isso, sua utilização precisa partir de uma indicação médica bem estabelecida”, explica o urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico Luís César Zaccaro (@dr.luiszaccaro).

5 cuidados essenciais

O especialista aponta que é preciso cuidado antes de considerar qualquer tipo de reposição, e destaca que um simples desejo por melhora estética ou física, pode representar um sério problema.

1-Sintomas não são suficientes para diagnosticar testosterona baixa

Fadiga, redução da libido e dificuldade de ereção podem ocorrer em homens com deficiência de testosterona, mas também estão associados a diversas outras condições. “Um homem pode estar cansado ou apresentar queda do desejo sexual por causa de obesidade, sedentarismo, estresse, ansiedade ou sono inadequado. Atribuir automaticamente esses sintomas à testosterona baixa pode levar a um tratamento desnecessário”, alerta Zaccaro.

2- Reposição não deve ser utilizada para fins estéticos

Ganhar massa muscular mais rapidamente não é indicação para terapia de reposição de testosterona. O mesmo vale para seu uso com objetivo de melhorar desempenho esportivo ou retardar o envelhecimento. Segundo a SBEM, estima-se que 3,3% da população mundial já tenha utilizado esteroides anabolizantes, proporção que pode chegar a 18,4% entre praticantes recreacionais de atividades esportivas. “Existe uma pressão muito grande pela performance e pelo corpo ideal. O problema começa quando um medicamento passa a ser encarado como um atalho estético e seus riscos são minimizados”, afirma o médico.

3- Quem pretende ter filhos precisa de atenção especial

Um dos efeitos mais desconhecidos da testosterona externa é justamente sobre a fertilidade masculina. Quando o organismo recebe o hormônio de fora, o cérebro pode reduzir os estímulos responsáveis pela produção natural de testosterona nos testículos. Como consequência, pode ocorrer diminuição do volume testicular e queda significativa na produção de espermatozoides. “Não é raro recebermos homens jovens que desejam ser pais e apresentam espermogramas muito alterados depois do uso de testosterona ou anabolizantes. A fertilidade precisa ser considerada antes de iniciar qualquer tratamento hormonal”, explica Zaccaro.

4- Mais testosterona não significa melhor desempenho sexual

A associação entre testosterona e sexualidade pode criar a impressão de que níveis mais elevados necessariamente melhoram libido e ereção. Isso não é verdade. O uso abusivo pode desorganizar o equilíbrio hormonal natural e produzir justamente o efeito contrário ao desejado. “Existe um paradoxo: uma substância utilizada para tentar melhorar o desempenho físico e sexual pode, depois de algum tempo, contribuir para queda da libido e disfunção erétil”, diz o urologista.

5-Acompanhamento médico não termina com a prescrição

Quando existe indicação real para reposição, o tratamento exige acompanhamento clínico e laboratorial. A utilização indiscriminada, especialmente em doses elevadas, pode aumentar o hematócrito, favorecer trombose e estar associada a alterações cardiovasculares, hepáticas e de humor. “A reposição hormonal pode trazer benefícios para quem realmente apresenta deficiência e tem indicação para o tratamento. O problema é transformar testosterona em produto de lifestyle. A pergunta não deve ser ‘como aumentar minha testosterona?’, mas se existe de fato uma deficiência que precisa ser tratada”, conclui Zaccaro.