Além do inglês: interesse no idioma coreano cresce entre brasileiros Envato

Levantamento da BELTA aponta diversificação no perfil do estudante brasileiro e destaca o avanço do multilinguismo como estratégia para estudo e carreira internacional

A busca por idiomas além do inglês ganhou força nos últimos anos e consolidou um movimento de diversificação no interesse dos estudantes brasileiros. Segundo a Pesquisa Selo Belta 2025, com dados referentes a 2024, Espanhol, Francês e Italiano ocuparam do 2º ao 4º lugar no ranking de idiomas mais buscados nas agências especializadas em educação internacional.

O levantamento mostra ainda que a diversificação vai além do eixo europeu. O Coreano já é citado por 6% das agências participantes da pesquisa, refletindo tanto o interesse por oportunidades ligadas à cidadania europeia quanto a crescente influência cultural asiática entre os jovens brasileiros.

De acordo com Alexandre Argenta, presidente da Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio), o cenário demonstra maturidade no perfil do estudante. “O inglês continua sendo essencial. Mas observamos um público cada vez mais estratégico, que enxerga o segundo ou terceiro idioma como diferencial competitivo e também como ponte para projetos de vida no exterior”, afirma.

No caso do Italiano e do Francês, o crescimento está diretamente ligado a planos de mobilidade acadêmica e profissional na Europa. A busca por reconhecimento de cidadania, especialmente entre descendentes de italianos, estimados em cerca de 30 milhões no Brasil, segundo dados consulares, também impulsiona a procura por cursos com certificação oficial de proficiência.

Já o Coreano representa uma nova frente de interesse. Além da influência do K-pop, dos doramas e da indústria cultural sul-coreana, cresce o número de estudantes interessados em tecnologia, inovação e oportunidades acadêmicas na Ásia.

Coreano é febre

Segundo dados do Spotify, o Brasil é o quinto país em todo o mundo que ouve K-pop. Os brasileiros perdem somente para Estados Unidos (1º), Indonésia (2º), Filipinas (3º) e Japão (4º). O levantamento também mostra que 73% dos ouvintes do gênero são mulheres, e deste total, 53% têm entre 18 e 24 anos.

Outro movimento que chama atenção é o ressurgimento do chamado “Latim Moderno”. Embora seja um nicho, o interesse pelo latim em versões contemporâneas e comunidades digitais tem crescido, seja por motivações acadêmicas, históricas ou culturais. O fenômeno acompanha uma valorização do conhecimento clássico aliado a novas formas de aprendizagem online.

Espanhol também se destaca

O fenômeno da música latina tem se consolidado como um dos principais motores para o despertar do interesse de brasileiros pelo estudo da língua espanhola. Assim, o consumo cultural torna-se ferramenta pedagógica orgânica. Um exemplo nítido dessa força foi o impacto causado pelos recentes anúncios e apresentações de ícones do gênero. Um exemplo sendo o porto-riquenho Bad Bunny, que com sua estética urbana e letras carregadas de regionalismos, aproxima o público jovem da sonoridade contemporânea do idioma.

Paralelamente, o anúncio e a expectativa em torno do show da colombiana Shakira na Praia de Copacabana, evento de proporções históricas que reforça sua conexão afetiva de décadas com o Brasil, demonstram como a presença física desses artistas no país valida e incentiva o aprendizado linguístico. Esses eventos não são apenas espetáculos musicais. São catalisadores que motivam o estudante a buscar a compreensão das letras e a fluência cultural. Reduzindo assim a distância entre o Brasil e seus vizinhos hispanofalantes.

O panorama indica que o estudante brasileiro está ampliando horizontes. Se antes o foco era quase exclusivo no inglês, agora o cenário aponta para uma formação multilíngue. Alinhada a objetivos de carreira, mobilidade internacional e identidade cultural. A tendência é que, nos próximos anos, a diversidade linguística continue crescendo no planejamento educacional dos brasileiros.