Carnaval atípico: Como garantir que pessoas com TEA aproveitem Freepik

Previsibilidade, respeito às sensibilidades sensoriais e planejamento ajudam a garantir bem-estar durante a festa

O Carnaval é uma das manifestações culturais mais tradicionais do Brasil, marcado por cores, música e intensa interação social. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, no entanto, o período pode gerar sentimentos diversos. Desde curiosidade e alegria à insegurança, especialmente devido às mudanças na rotina e aos estímulos sensoriais intensos.

Atenta a esse contexto, o Paica (Programa de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente), organização sem fins lucrativos que é referência no atendimento e acompanhamento de pessoas com TEA em Campinas/SP, reforça a importância de adaptar as vivências carnavalescas às necessidades individuais. O foco é garantir bem-estar emocional, segurança e respeito às particularidades de cada pessoa. “Quando bem orientado, o Carnaval pode se tornar uma oportunidade positiva de socialização, desenvolvimento da tolerância a mudanças e fortalecimento do sentimento de pertencimento”, destaca Roberta Micuci Marques, supervisora de equipe do Paica.

Entenda os limites

Roberta ainda destaca que é fundamental compreender que a participação não precisa acontecer da mesma forma para todos. Sons altos, luzes intensas, cheiros variados e contato físico inesperado podem causar desconforto sensorial e emocional. Por isso, cuidados como respeitar sinais de estresse, oferecer pausas, evitar locais muito cheios e permitir o uso de fones abafadores ou objetos de conforto fazem toda a diferença.

Outro ponto é a importância da previsibilidade. Histórias sociais preparam a pessoa com TEA para o que vai acontecer. Explique de forma simples o que é o Carnaval, onde ocorrerá, quanto tempo a atividade vai durar e o que pode ser feito caso a pessoa queira sair do local. “Antecipar informações reduz a ansiedade e torna a experiência mais compreensível e manejável”, completa a supervisora de equipe do Paica.

Com planejamento, informação e respeito às individualidades, as pessoas podem vivenciar a festa de forma mais segura, acolhedora e positiva. Assim, reforçando importância da inclusão e da valorização da diversidade.