Iniciativa reúne artistas para transformar vivências reais em obras infantis e gerar recursos para hospital de referência no tratamento oncológico
A ilustração infantil tem ganhado um novo papel além da estética e do entretenimento: o de ferramenta de acolhimento, escuta e transformação social. Um exemplo disso é o projeto que transforma histórias reais de crianças em tratamento contra o câncer em livros infantis ilustrados, cujas vendas arrecadam recursos para o hospital que as atende.
A iniciativa parte do trabalho de Guilherme Bevilaqua, conhecido como Prof. Laqua, ilustrador com mais de 27 anos de atuação e fundador do Estúdio Laqua Parla. Através de um braço social do estúdio, que reúne atualmente cerca de 40 ilustradores, o projeto conecta arte e impacto social ao produzir materiais visuais voltados para instituições.
A ação mais recente teve início com a produção de dois volumes de livros para colorir desenvolvidos em parceria com o Hospital Erastinho, referência no tratamento oncológico infantil e responsável por atender centenas de famílias todos os anos. As publicações reúnem ilustrações baseadas em contos clássicos de domínio público, além de atividades como caça-palavras, jogos de associação e desafios visuais.
Toda a renda obtida com a venda dos livros será integralmente revertida ao hospital, como forma de apoiar o tratamento das crianças atendidas. “A ideia é usar a ilustração como uma ponte. Não só para entreter, mas para ajudar de forma concreta. É colocar a arte a serviço de algo maior”, explica o ilustrador.
Novos projetos
Paralelamente, o estúdio já desenvolve novos desdobramentos da iniciativa. Entre eles, a produção de livros para colorir com temática de pets, voltados à arrecadação de recursos para ONGs que atuam no cuidado de animais abandonados. A proposta é manter o controle da distribuição e destinar diretamente os valores arrecadados às instituições beneficiadas, garantindo a transparência e a efetividade da ação.
Mas é o próximo projeto que promete ampliar ainda mais o impacto social da iniciativa. Ao longo deste ano, o projeto coletará as histórias reais de 12 famílias atendidas pelo Hospital Erastinho. Entrevistadores registrarão os relatos, que uma roteirista convidada adaptará para o formato de livro infantil. Na sequência, duplas de artistas — um responsável pelo desenho e outro pela pintura — ilustrarão cada obra.
Ao todo, 24 ilustradores produzirão a coleção, composta por 12 livros inéditos. Após a finalização, o hospital imprimirá e comercializará as obras, destinando toda a renda ao apoio às famílias e à manutenção dos atendimentos.
Para Laqua, o projeto representa uma nova forma de entender o papel do ilustrador na sociedade. “A ilustração pode ir muito além do mercado editorial tradicional. Ela pode acolher, dar voz, transformar dor em narrativa e, principalmente, gerar impacto real na vida das pessoas”, conclui.
Mais do que livros, a iniciativa constrói pontes entre arte, empatia e responsabilidade social. Em um cenário onde a produção visual muitas vezes se torna automática e superficial, projetos como esse resgatam a essência da criação: contar histórias que importam.