Carnaval: como proteger crianças atípicas do excesso de estímulos Freepik

Psicólogo infantil explica os impactos e orienta famílias sobre como reduzir a sobrecarga sensorial

Barulho intenso, multidões, mudanças bruscas de rotina, fantasias, luzes e música alta: o Carnaval é um período de muita alegria para muitas famílias, mas pode representar um grande desafio para crianças atípicas, como aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, transtornos sensoriais ou dificuldades de regulação emocional.

De acordo com o psicólogo infantil Miguel Bunge, o excesso de estímulos sensoriais típico do Carnaval pode gerar sobrecarga emocional e física nessas crianças. “É comum observar crises de choro, irritabilidade, isolamento, agressividade ou regressão de comportamentos já conquistados. Isso acontece porque o cérebro da criança atípica pode ter mais dificuldade para filtrar e organizar tantos estímulos ao mesmo tempo”, explica.

Além dos sons altos e do excesso de pessoas, a quebra da rotina, como horários irregulares de sono e alimentação também contribui para o aumento do estresse. “A previsibilidade é um fator importante para o bem-estar dessas crianças. Quando tudo muda de forma intensa e rápida, o corpo e a mente entram em estado de alerta”, destaca o especialista.

Segundo Miguel Bunge, não é necessário excluir totalmente a criança das atividades carnavalescas, mas sim adaptar a experiência.

Com ajuda do especialista, elaboramos uma lista com 6 estrátegias simples podem ajudar a reduzir os impactos:

1- Evitar horários e locais muito cheios, priorizando eventos mais tranquilos ou em horários alternativos;
2- Manter o máximo possível da rotina, especialmente sono e alimentação;
3- Oferecer pausas frequentes, permitindo que a criança se afaste dos estímulos quando necessário;
4-Usar recursos de proteção sensorial, como abafadores de som ou fones com cancelamento de ruído;
5-Preparar a criança com antecedência, explicando o que vai acontecer e por quanto tempo;
6- Respeitar os sinais de desconforto, sem insistir na permanência em ambientes que causem sofrimento.

“O mais importante é entender que cada criança é única. O que funciona para uma pode não funcionar para outra. O olhar atento da família e o respeito aos limites são fundamentais para que o período seja mais leve e seguro”, reforça o psicólogo.

O Carnaval pode ser vivido de forma inclusiva, desde que haja sensibilidade, planejamento e informação. “Quando o adulto ajusta o ambiente à criança, e não o contrário, reduzimos riscos e promovemos experiências mais positivas”, conclui Miguel Bunge.