Padre cearense pode virar novo santo brasileiro Natural do Ceará, o padre Ibiapina abraçou o sacerdócio depois dos 40 anos (Foto: Reprodução Instagram)

Padre Ibiapina, defensor da caridade e da fé, pode ser o novo santo brasileiro; processo começa com comprovação de milagres

O Vaticano publicou ontem (31) um decreto que reconhece as virtudes heroicas do padre cearense José Antônio Maria Ibiapina, que viveu no século 19. Com o decreto, que leva a assinatura do papa Francisco, o padre passa a ser considerado “venerável” pelos católicos. Trata-se da primeira parte do processo que pode torná-lo beato e, em seguida, santo. Fiéis nordestinos chamam Ibiapina de “apóstolo do Nordeste”.

O padre nasceu em Sobral, no Ceará, em 1806. Recebeu educação religiosa na infância e na adolescência, mas, por causa de problemas familiares, acabou se afastando da vida monástica para estudar direito e atuar na política. Em 1850, aos 44 anos, decidiu abraçar sua verdadeira vocação. Assim, recebeu a ordenação como sacerdote em 1853.

Apóstolo do Nordeste

Segundo informações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o padre Ibiapina passou a atuar na diocese da Paraíba. Ele fundou casas de acolhimento, educação, assistência à saúde, formação religiosa e profissionalizante nas regiões da Paraíba e Rio Grande do Norte. Também organizou projetos populares para a construção de igrejas, hospitais e orfanatos. Era um defensor da fé e da caridade.

Em 1875, sofreu uma paralisia dos membros inferiores. Passou, assim, a se locomover numa cadeira de rodas. Porém, como seu estado de saúde declinou, o padre veio a falecer em 1883, aos 76 anos.

Beato e santo

O reconhecimento como “venerável” é o primeiro degrau para que o padre seja incluído no rol dos santos brasileiros. O processo funciona assim: a Santa Sé começa agora a analisar eventuais milagres atribuídos ao “venerável”. Com a confirmação do primeiro milagre, ele se torna beato. Caso exista a comprovação de um segundo milagre, o padre Ibiapina é canonizado, ou seja, vira santo. Embora esse processo da Igreja possa levar alguns anos, o padre cearense já é lembrado pelos fiéis como intercessor de graças e milagres.

No Brasil, a Igreja Católica já reconheceu 37 santos, incluindo quem nasceu no país ou passou boa parte da vida em território brasileiro. É o caso de Madre Paulina (ou Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus), que recebeu a canonização em 2002. Italiana, ela fixou morada nos Estados de Santa Catarina e São Paulo, onde veio a falecer em 1942.