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Modelo que combina consulta online, exames presenciais e dados clínicos ganha força ao ampliar acesso, reduzir encaminhamentos e aumentar a segurança diagnóstica no país
A telemedicina continua avançando no Brasil, impulsionada pela digitalização do setor de saúde e pela busca por mais eficiência no atendimento. O país já ultrapassou 30 milhões de consultas remotas em 2023¹, segundo a Federação Nacional de Saúde Suplementar, consolidando o modelo como importante porta de entrada para o sistema de saúde.
Com a maturidade do setor, porém, começam a surgir limitações operacionais do modelo exclusivamente remoto, especialmente em especialidades que exigem exames clínicos prévios para uma avaliação mais precisa. Nesse contexto, ganha força a telemedicina híbrida e que combina consulta online com suporte presencial como uma evolução natural do cuidado.
“A consulta digital amplia o acesso, mas, em determinadas áreas médicas, a ausência de exames prévios limita a capacidade diagnóstica. Sem dados clínicos estruturados, o especialista trabalha com maior grau de incerteza”, afirma Iseli Yoshimoto Reis, CEO da Kure.
Veja por que esse formato está em alta:
1. A telemedicina é um excelente ponto de partida no cuidado
A telemedicina trouxe praticidade e ampliou o acesso à saúde, sendo especialmente eficaz para demandas de menor complexidade, como orientações iniciais, acompanhamento de sintomas e renovação de receitas. Em muitos casos, ela funciona como uma porta de entrada ágil para o sistema de saúde. Quando há necessidade de avaliação clínica mais detalhada ou exames complementares, a integração com o atendimento presencial permite aprofundar a análise e aumentar a precisão diagnóstica, tornando o cuidado mais completo e eficiente.
2. A evolução do setor exige mais eficiência diagnóstica
Após uma primeira fase marcada pela expansão digital, o setor entra agora em um momento de maior maturidade, em que o foco passa a ser a qualidade do atendimento e a segurança diagnóstica e não apenas o volume de consultas.
3. Estudos mostram que integração é essencial
Pesquisa publicada na JMIR Formative Research (2026)² indica que a telemedicina é mais eficaz quando está conectada a uma estrutura física e a fluxos assistenciais organizados. Isso reforça que a tecnologia, sozinha, não é suficiente para garantir qualidade no cuidado.
4. Especialidades dependentes de exame são diretamente beneficiadas
Áreas como oftalmologia, cardiologia e otorrinolaringologia dependem de informações clínicas para condução adequada do diagnóstico. A integração entre dispositivos diagnósticos e plataformas digitais torna o cuidado mais completo e eficiente.
5. Especialidades dependentes de exame são diretamente impactadas
Áreas como oftalmologia, cardiologia e otorrinolaringologia exigem dados clínicos para conduzir o atendimento. Com a telemedicina híbrida, esses exames passam a fazer parte da jornada, tornando o processo mais eficiente.
6. Ampliação do acesso com mais qualidade
O modelo híbrido tem forte aplicação em regiões remotas e periferias urbanas, onde há escassez de especialistas. A combinação entre exame local e consulta remota amplia o acesso com maior qualidade assistencial.
7. Redução de encaminhamentos desnecessários
Com mais dados disponíveis desde o início do atendimento, o médico consegue resolver mais casos já na primeira consulta, evitando encaminhamentos desnecessários para hospitais ou especialistas.
8. Ampliação do acesso em regiões com pouca estrutura
O modelo híbrido tem grande potencial em áreas remotas e periferias urbanas, onde há escassez de especialistas. A combinação entre exame local e consulta remota amplia o acesso e melhora a qualidade do atendimento.
O que esperar daqui para frente?
A telemedicina entra em uma nova fase no Brasil. Se antes o foco estava na ampliação do acesso, agora a prioridade passa a ser garantir qualidade, eficiência e segurança diagnóstica. Mais do que expandir o volume de atendimentos, o desafio está em estruturar um modelo capaz de oferecer resolutividade e uso mais racional dos recursos do sistema de saúde.
“Não basta ampliar consultas remotas. É necessário garantir segurança diagnóstica e uso racional dos recursos. A conectividade é essencial, mas precisa estar associada a equipamentos, protocolos clínicos e integração territorial”, afirma Iseli.
Segundo a executiva, a telemedicina exclusivamente remota segue sendo eficaz para demandas de baixa complexidade, como orientação clínica inicial e atualização de receituário. No entanto, apresenta limitações em especialidades que dependem de exames prévios para uma avaliação mais precisa.
“A consulta digital amplia o acesso, mas, em determinadas áreas médicas, a ausência de exames prévios limita a capacidade diagnóstica. Sem dados clínicos estruturados, o especialista trabalha com maior grau de incerteza. A tendência é que modelos híbridos se consolidem como o novo padrão, integrando tecnologia e atendimento presencial para oferecer um cuidado mais completo”, finaliza.
Referência:
- https://fenasaude.org.br/
- https://ancd.org.br/medicina-on-line-avanca-e-chega-a-30-milhoes-de-consultas-no-pais/