
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, especialista reforça como a nicotina agrava a dor e dificulta o tratamento
Embora os malefícios do cigarro para o pulmão e o coração sejam amplamente conhecidos, seu impacto sobre o cérebro e, especialmente, sobre pacientes com enxaqueca ainda é subestimado. De acordo com um estudo publicado na revista Cephalalgia em 2024, fumantes apresentam um risco 62% maior de desenvolver enxaqueca crônica em comparação com não fumantes.
O médico intensivista e especialista em dor Dr. Felipe Brambila explica que substâncias como a nicotina provocam alterações nos vasos cerebrais e nos neurotransmissores. Isso torna o cérebro mais suscetível a disparar crises de dor. “O cigarro atua como um gatilho direto. Ele pode intensificar a dor, aumentar a frequência das crises e até reduzir a eficácia dos medicamentos utilizados no tratamento da enxaqueca”, afirma.
Todo tabagismo é prejudicial
O impacto não se limita ao cigarro tradicional. Dispositivos eletrônicos, como os vapes, também foram associados ao aumento da incidência de dor de cabeça. Para Brambila, há uma falsa sensação de segurança em relação a esses produtos. “Muitas pessoas acreditam que o cigarro eletrônico é menos nocivo, mas os estudos mostram que ele também agrava os quadros de dor crônica, inclusive a enxaqueca.”
O especialista destaca ainda que o tabagismo compromete o sono e altera os níveis de estresse, dois fatores que contribuem diretamente para o agravamento das cefaleias. “Existe um efeito em cascata. A nicotina desregula o sistema nervoso e isso repercute diretamente no controle da dor.”
Faz toda a diferença
Segundo a mais recente edição da Pesquisa Vigitel, realizada pelo Ministério da Saúde em 2024, cerca de 12% da população adulta brasileira continua fumando. O abandono do tabaco, porém, pode representar um divisor de águas para quem convive com enxaqueca. Um estudo da Universidade de Harvard, publicado em 2023, revelou que pacientes que deixaram de fumar relataram melhora significativa na intensidade e frequência das dores, com redução do uso de analgésicos em até 70% dos casos.
“O cigarro agride o sistema vascular e o neurológico, duas estruturas fundamentais na gênese da enxaqueca. Deixar de fumar é uma das decisões mais efetivas que uma pessoa com dor crônica pode tomar”, conclui Brambila.