Contra a obesidade: 6 mitos e verdades sobre canetas e bariátrica Canetas não são “soluções mágicas”: tratamento integral deve incluir rotina saudável, com exercícios físicos (Foto: Magnific)

Especialista esclarece se as canetas vão substituir a bariátrica e aponta a melhor opção para cada caso

O avanço das canetas emagrecedoras mudou a forma como muitos brasileiros encaram o tratamento contra a obesidade. Segundo a empresa de inteligência de dados Scanntech, o uso desses medicamentos injetáveis cresceu 239% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, o mercado informal já representa aproximadamente 50% das vendas, o que aumenta os riscos do uso sem orientação médica.

Diante da popularização dos medicamentos à base dos chamados agonistas do GLP-1, cresce também a necessidade de esclarecer informações. Especialista no tratamento contra a obesidade e em cirurgia bariátrica, o médico José Afonso Sallet, do Instituto de Medicina Sallet, esclarece seis mitos e verdades sobre o tema.



1 – Qualquer pessoa pode usar caneta emagrecedora

Mito. As canetas devem ser prescritas para quem apresenta diabetes tipo 2 e para o manejo de peso em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m² (obesidade), ou IMC igual ou superior a 27 kg/m² (sobrepeso) na presença de pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como pressão alta.

Mais recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou o uso da caneta Monjauro (tirzepatida) para crianças e adolescentes a partir de 10 anos para tratamento contra diabetes tipo 2. Já contra a obesidade, as canetas Saxenda (liraglutida) e Wegovy (semaglutida) estão liberadas a partir dos 12 anos, com critérios específicos de IMC e acompanhamento médico. Isso porque, o uso sem prescrição médica pode trazer riscos à saúde.

2 – Tirzepatida e similares têm efeitos colaterais

Verdade. Náuseas, vômitos, diarreia e prisão de ventre estão entre os efeitos adversos mais frequentes. A Anvisa também alerta para eventos graves, como pancreatite aguda. Isso reforça, portanto, a necessidade de acompanhamento médico durante todo o tratamento.

3 – Canetas são eficazes contra doenças causadas pela obesidade

Verdade. Além da perda de peso, estudos demonstram benefícios no controle do diabetes tipo 2 e melhora de condições associadas, como hipertensão arterial, apneia do sono e problemas articulares. A melhora dessas condições contribui, desse modo, para uma melhor qualidade de vida.


4 – Quem fez bariátrica e engordou não pode usar semagluita ou similares

Mito. Canetas emagrecedoras podem ser uma aliada importante no tratamento contra reganho de peso após a cirurgia bariátrica. No entanto, a introdução desse tratamento nunca deve ser feita de forma isolada ou como uma “solução mágica”.

Isso porque, embora atuem no centro da saciedade e no esvaziamento gástrico, as canetas devem fazer parte de uma associação de tratamentos, de acordo com o especialista. Ou seja, os injetáveis precisam representar um suporte temporário ou de longo prazo até que o paciente alcance equilíbrio metabólico e incorpore à rotina hábitos saudáveis, como exercícios físicos.
 

5 – Os medicamentos injetáveis vão substituir a cirurgia bariátrica

Mito. Para pacientes com obesidade em níveis mais elevados e doenças metabólicas, a cirurgia bariátrica continua sendo o tratamento mais indicado. Enquanto os medicamentos injetáveis auxiliam no controle da doença, a cirurgia promove alterações metabólicas e hormonais mais duradouras.

6 – Com bariátrica, perde-se mais peso do que com canetas

Verdade. Os análogos do hormônio GLP-1 costumam proporcionar perda de 10% a 15% do peso corporal, podendo chegar perto de 20% , conforme apontam estudos mais recentes. Já a cirurgia bariátrica normalmente resulta em redução de 30% a 40% do peso corporal total, além de apresentar maiores índices de remissão de doenças associadas, como o diabetes tipo 2.
 

Outros tratamentos

O especialista lembra que existem outras opções terapêuticas para o tratamento contra a obesidade, como a endosutura gástrica e o balão intragástrico. Na endosutura gástrica, o médico faz suturas (“pregas) no estômago a fim de reduzir o tamanho do órgão e, com isso, aumentar a saciedade do paciente.

“A obesidade não possui uma solução única”, frisa Sallet. “A escolha do tratamento deve ser baseada em critérios médicos, considerando o IMC, o perfil metabólico e o histórico de saúde de cada paciente”.