Pesquisa indica que o chá poderia ter efeito protetor sobre os ossos; médica frisa que resultados de estudo não mudam tratamento contra osteoporose (Foto: FreePik)
Reportagem de Fernanda Bassette, da Agência Einstein, cita estudo que analisou os efeitos de chá e café na saúde óssea
O consumo de café e chá faz parte da rotina dos brasileiros, mas o impacto dessas bebidas sobre a saúde dos ossos ainda gera dúvidas. Segundo um amplo estudo publicado em novembro de 2025 na revista internacional Nutrients, a ingestão frequente de chá pode estar associada a uma densidade óssea ligeiramente maior no quadril em mulheres.
A pesquisa acompanhou, ao longo de dez anos, quase 10 mil mulheres com 65 anos ou mais. Elas participam do Study of Osteoporotic Fractures, levantamento focado em fraturas por osteroporose. Os estudiosos analisaram o consumo de café e chá e compararam esses dados com exames de densidade mineral óssea do quadril e do colo do fêmur.
Efeito protetor do chá
Enquanto o chá pareceu ter um efeito protetor, o café não demonstrou prejudicar a saúde dos ossos, embora doses elevadas da bebida possam estar relacionadas a um risco maior de perda óssea. Uma dose elevada equivale a mais de cinco xícaras diárias. “O consumo moderado, em geral, até duas ou três xícaras por dia, não está associado a prejuízos importantes para os ossos, desde que a ingestão de cálcio seja adequada. O problema é o excesso”, pontua a reumatologista Isabella Monteiro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia (GO).
Portanto, não há motivo para deixar de tomar café, apenas para evitar exageros, especialmente mulheres com osteoporose ou alto risco de fraturas. “A diferença observada é muito pequena. Do ponto de vista do consultório, esse resultado não muda condutas nem indicações de tratamento. Esse achado tem mais relevância populacional do que individual”, observa a médica.
O estudo também analisou subgrupos diferentes de mulheres e constatou que aquelas com maior consumo de álcool poderiam apresentar efeitos mais negativos do café sobre os ossos, enquanto aquelas com obesidade se beneficiariam mais do chá. “São hipóteses que precisam de confirmação. A Sociedade Brasileira de Reumatologia recomenda que as decisões clínicas devem se basear em fatores de risco bem estabelecidos”, ressalta a especialista.
Risco para mulheres
A osteoporose é uma condição marcada pela redução da massa e da qualidade óssea, aumentando o risco de fraturas, especialmente na coluna, no quadril e no punho. Trata-se de um problema altamente prevalente após a menopausa. “A queda do estrogênio acelera a perda óssea, e estima-se que cerca de um terço das mulheres acima dos 50 anos terá uma fratura osteoporótica ao longo da vida”, relata a reumatologista do Einstein Goiânia.
O diagnóstico é feito por meio da densitometria óssea, um exame indolor. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), todas as mulheres devem se submeter a esse exame a partir dos 65 anos. Antes dessa idade, é importante fazer a densiometria óssea quando há fatores de risco, como menopausa precoce, fratura prévia por fragilidade, histórico familiar ou uso prolongado de corticoides.
Como prevenir osteoporose
Os pilares clássicos para prevenção e tratamento são: ingestão adequada de cálcio e vitamina D, e atividade física regular. Prevenção de quedas e tratamento medicamentoso quando indicado também afastam o risco de desenvolver a osteoporose. Não há problema em consumir cafezinho e chá dentro de um contexto alimentar equilibrado. “Essas bebidas podem fazer parte dos hábitos, mas com moderação. Não substituem medidas comprovadamente eficazes para proteger os ossos no envelhecimento”, frisa Isabella Monteiro.
Texto: Fernanda Bassette/Agência Einstein