CFM define regras para uso de IA na medicina Freepik

Especialista em tecnologia, Elemar Júnior reitera que a IA deve atuar como ferramenta de apoio

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou recentemente a primeira norma brasileira sobre o uso de inteligência artificial (IA) em hospitais e consultórios. A diretriz é clara: a tecnologia chega como um “coadjuvante de luxo”, mas o veredito final e a assinatura no prontuário permanecem sendo exclusividade do médico.

Essa movimentação regulatória reflete a visão de especialistas que acompanham a evolução dos algoritmos. Para Elemar Júnior, CEO da eximia.co e especialista em arquitetura de software, a questão central não é a capacidade de processamento, mas a autoria do ato médico. “O ponto mais importante é a questão da responsabilidade. Um médico não pode utilizar a inteligência artificial e depois culpá-la por um eventual erro. Como a responsabilidade é sempre do profissional, a decisão final também tem que ser dele”, afirma.

IA não substitui conhecimento

A resolução do CFM proíbe que sistemas automatizados entreguem diagnósticos ou terapias diretamente aos pacientes sem a mediação de um profissional. Além da barreira ética, existe uma limitação técnica que a máquina ainda não superou: o “feeling” clínico.

Segundo Elemar Júnior, a IA é excelente em organizar volumes massivos de dados, mas carece de vivência. “Nada substitui a experiência. O médico tem uma percepção que é tácita e não explícita. Ele consegue tomar decisões e perceber problemas com dados que ele ainda nem tem em mãos, enquanto a IA faz análises apenas em cima do que já possui”, explica o executivo.

A nova regra também protege a autonomia do paciente, que pode recusar o uso de ferramentas de IA em seu atendimento. Para as instituições de saúde, a obrigatoriedade de criar comissões de governança reforça que a tecnologia é um meio, não um fim. Conforme pontua Elemar Júnior, essa lógica de preservação do discernimento humano deve se estender para além dos consultórios: “Isso confere ao médico um diferencial importante, e vale para qualquer outra profissão”.