Mulheres na liderança: o caminho ainda tem desafios

A presença feminina nos cargos mais altos das empresas ainda enfrenta barreiras culturais e estruturais

Nos últimos anos, o debate sobre igualdade de gênero ganhou mais espaço dentro das organizações. Ainda assim, a presença feminina nos cargos de liderança segue menor do que a masculina. De acordo com o relatório Women in the Workplace, as mulheres ocupam menos de 40% dos cargos executivos, o que revela que o caminho até o topo ainda exige enfrentar desafios importantes.

Para Luana Fernandez, sócia da Acerta Consultoria, formada em Comunicação pela PUC-Rio, com MBA em Novos Negócios pelo IBMEC e especialização no Business Global Program da San Diego State University, muitas dessas barreiras estão ligadas a questões estruturais que foram construídas ao longo do tempo. “Durante muito tempo, os espaços de poder foram ocupados majoritariamente por homens, e isso acabou moldando uma cultura corporativa que nem sempre considera as diferentes realidades das mulheres”, explica.

Desafios além do ambiente de trabalho

Outro ponto que ainda pesa na trajetória profissional feminina é a chamada dupla jornada. Mesmo com maior participação no mercado de trabalho, muitas mulheres continuam assumindo grande parte das responsabilidades domésticas e familiares, o que acaba gerando uma sobrecarga.

“Diversas mulheres ainda enfrentam a dupla jornada de trabalhar fora e dentro de casa, muitas vezes com filhos, e uma cobrança silenciosa de provar competência o tempo todo. Em muitos momentos, nós sentimos que precisamos entregar muito mais para sermos reconhecidas da mesma forma”, destaca Luana.

Empresas não são inclusivas com mulheres na liderança

Para que esse cenário evolua, a especialista aponta que as empresas precisam assumir um papel ativo na construção de ambientes mais inclusivos. Segundo Luana Fernandez, a diversidade não acontece de forma espontânea dentro das organizações.

“As empresas precisam criar ambientes onde as mulheres realmente tenham oportunidades de crescimento e de participação em decisões estratégicas. A diversidade precisa ser construída pelas pessoas e incentivada pela cultura da organização”, afirma.

Medidas como programas de mentoria, metas de diversidade e políticas internas de equidade já começam a ganhar espaço no mundo corporativo. Essas iniciativas ajudam a abrir caminhos e criar referências para novas lideranças femininas.

“Programas de mentoria fazem muita diferença, principalmente quando conectam mulheres que estão começando sua trajetória com outras que já passaram por caminhos semelhantes. Ter referências e alguém que compartilhe experiências faz toda a diferença”, explica.

Equilíbrio entre carreira e vida pessoal

Outro desafio importante está na conciliação entre carreira e vida pessoal, especialmente quando as mulheres chegam a cargos de maior responsabilidade. Para Luana, políticas de flexibilidade e uma mudança de mentalidade nas empresas podem fazer grande diferença.
“Conciliar carreira e vida pessoal ainda é um grande desafio, especialmente quando falamos de maternidade. Eu mesma, como mãe e empresária, sei o quanto essa jornada exige equilíbrio, organização e uma dose enorme de resiliência”, conta.

Ela reforça que produtividade não está necessariamente ligada à presença física constante. “As empresas podem apoiar muito quando oferecem flexibilidade e uma cultura que entenda que produtividade não está necessariamente ligada à presença física o tempo todo.”

Caminho para mulheres na liderança

Para mulheres que desejam alcançar posições de liderança, mas ainda enfrentam inseguranças no ambiente profissional, Luana acredita que confiança e apoio coletivo fazem diferença.
“A primeira coisa é acreditar na própria capacidade, mesmo quando surgirem dúvidas. Muitas mulheres são extremamente preparadas, mas ainda carregam uma autocrítica muito forte”, afirma.

Ela também destaca a importância da rede de apoio entre mulheres. “Eu acredito muito na força do apoio entre mulheres. Quando nos apoiamos, compartilhamos experiências e abrimos espaço umas para as outras, criamos um ambiente muito mais forte.”

Ao olhar para a própria trajetória como mulher, mãe e empresária, Luana reforça que cada conquista representa um avanço coletivo. “Minha trajetória teve, e ainda tem, desafios, como a de tantas outras mulheres. Mas cada conquista também mostra que sim, é possível. E quando uma mulher avança, ela abre caminho para muitas outras.”