Mario Quintana celebrou o ato de sonhar; sua obra ficou conhecida pelo lirismo e pela força poética
Sonhar é uma espécie de revelação. Porém, em vez de despertarmos para a realidade exterior, mergulhamos na realidade interior, talvez na esfera do inconsciente. É mais ou menos assim que o poeta gaúcho Mario Quintana define o ato de sonhar. Isso porque, no poema Os Parceiros, ele deixou evidente essa atribuição ao registrar o seguinte verso: “Sonhar é acordar-se para dentro”.

Força poética de Quintana
O poema continua: “De súbito me vejo em pleno sonho/E no jogo em que todo me concentro/Mais uma carta sobre a mesa ponho”. Os Parceiros fala, de maneira lírica, das experiências humanas, muitas vezes marcadas por decepções, desencontros e enganos. “E, a cada parada, uma pancada/O coração, exausto/ainda insiste”, continua o autor.
Além de poeta, Mario Quintana foi tradutor e jornalista. Ele nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1906, e morreu em Porto Alegre, em 1994, com 87 anos. Deixou uma obra vasta, com mais de 20 publicações. Sua produção é reconhecida pelo lirismo e pela força poética. Lançado em 1940, o primeiro livro de Quintana se chamou Rua dos Cataventos.
Conteúdos relacionados Celebridades
Travessa dos Passarinhos
Em Porto Alegre, além da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), há outra homenagem ao poeta: a Travessa dos Passarinhos, localizada no Centro Histórico da capital gaúcha, assim como a CCMQ. A via, que é uma galeria de arte a céu aberto, tem esse nome em referência ao seu poema mais popular, Poeminho do Contra.
Ao propor uma brincadeira com a língua portuguesa, Poeminho do Contra também reitera a capacidade de superar dificuldades e seguir em frente. Além disso, já foi dito que esse poema representa também uma oportunidade de respirar, apesar do caos. Confira: “Todos esses que aí estão/Atravancando meu caminho/Eles passarão… Eu passarinho!”.