Fachada da Casa de Cultura Mario Quintana, localizada no Centro Histórico de Porto Alegre, onde o poeta faleceu nos anos 90 (Foto: Giulian Serafim/Prefeitura Municipal de Porto Alegre)
Mario Quintana celebrou o ato de sonhar; sua obra ficou conhecida pelo lirismo e pela força poética
Sonhar é uma espécie de revelação. Porém, em vez de despertarmos para a realidade exterior, mergulhamos na realidade interior, talvez na esfera do inconsciente. É mais ou menos assim que o poeta gaúcho Mario Quintana define o ato de sonhar. Isso porque, no poema Os Parceiros, ele deixou evidente essa atribuição ao registrar o seguinte verso: “Sonhar é acordar-se para dentro”.
Força poética de Quintana
O poema continua: “De súbito me vejo em pleno sonho/E no jogo em que todo me concentro/Mais uma carta sobre a mesa ponho”. Os Parceiros fala, de maneira lírica, das experiências humanas, muitas vezes marcadas por decepções, desencontros e enganos. “E, a cada parada, uma pancada/O coração, exausto/ainda insiste”, continua o autor.
Além de poeta, Mario Quintana foi tradutor e jornalista. Ele nasceu em Alegrete, no Rio Grande do Sul, em 1906, e morreu em Porto Alegre, em 1994, com 87 anos. Deixou uma obra vasta, com mais de 20 publicações. Sua produção é reconhecida pelo lirismo e pela força poética. Lançado em 1940, o primeiro livro de Quintana se chamou Rua dos Cataventos.
Travessa dos Passarinhos
Em Porto Alegre, além da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ), há outra homenagem ao poeta: a Travessa dos Passarinhos, localizada no Centro Histórico da capital gaúcha, assim como a CCMQ. A via, que é uma galeria de arte a céu aberto, tem esse nome em referência ao seu poema mais popular, Poeminho do Contra.
Ao propor uma brincadeira com a língua portuguesa, Poeminho do Contra também reitera a capacidade de superar dificuldades e seguir em frente. Além disso, já foi dito que esse poema representa também uma oportunidade de respirar, apesar do caos. Confira: “Todos esses que aí estão/Atravancando meu caminho/Eles passarão… Eu passarinho!”.