HPV: sobe incidência de câncer de colo do útero em mulheres 65+ HPV: sobe incidência de câncer de colo do útero em mulheres 65+

Um estudo observacional de grande escala, publicado na revista Gynecology and Obstetrics Clinical Medicine, em julho de 2025, reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar a faixa etária do rastreamento do câncer de colo do útero. Dados recentes indicam que mulheres a partir de 65 anos apresentam maior prevalência de infecção por HPV de alto risco em relação a mulheres mais jovens. Além de maior ocorrência de alterações celulares detectadas em exames preventivos.

A pesquisa, conduzida na China com dados de mais de 2 milhões de mulheres entre 2017 e 2023, identificou que quase 14% das participantes com 65 anos ou mais testaram positivo para tipos de HPV de alto risco. O percentual supera os 8% registrados entre mulheres mais jovens. O estudo também apontou que as idosas tinham maior probabilidade de apresentar infecção por múltiplos tipos do vírus e alterações no colo do útero.

Altos índices de HV

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o HPV está relacionado a cerca de 95% dos casos de câncer de colo do útero. Em 2022, foram registrados aproximadamente 660 mil novos casos da doença no mundo e 350 mil mortes. Na faixa etária acima dos 65 anos, houve mais de 157 mil novos diagnósticos e 124 mil óbitos no mesmo ano. O que indica crescimento proporcional nessa população.

Para a mestre em saúde materno-infantil e professora ginecologista e obstetra da Afya Educação Médica do Rio de Janeiro, Dra. Aparecida Monteiro, o aumento da expectativa de vida e as mudanças no perfil demográfico exigem atenção redobrada. “Muitas mulheres acima de 65 anos não foram vacinadas contra o HPV na juventude. E, em alguns casos, não realizaram rastreamento regular ao longo da vida. Com o envelhecimento populacional, isso pode contribuir para o aumento de diagnósticos tardios”, explica.

Atualmente, a maior parte das diretrizes internacionais recomenda interromper o rastreamento após os 65 anos. Isso desde que a mulher tenha histórico de exames normais e não apresente fatores de risco. No entanto, especialistas avaliam que essa recomendação pode precisar de revisão em alguns contextos, especialmente diante do aumento de casos nessa faixa etária.

Por que a idade é um fator determinante para o HPV

De acordo com os autores do estudo, mulheres acima de 65 anos podem representar um grupo de maior risco para incidência e mortalidade por câncer de colo do útero. Sobretudo aquelas que não se vacinaram ou mantiveram rastreamento anteriormente. O estudo é observacional e possui limitações, mas os resultados indicam a necessidade de análise por parte das autoridades de saúde.

A médica da Afya Educação Médica destaca que a decisão sobre continuidade do rastreamento deve ser individualizada e reforça a importância da prevenção. “O acompanhamento ginecológico não deve ser interrompido automaticamente aos 65 anos. É fundamental considerar o histórico de exames, a presença de infecção por HPV e as condições clínicas da paciente. A vacinação contra o HPV, quando indicada, com a realização periódica de exames são as principais estratégias para reduzir a incidência e a mortalidade pelo câncer de colo do útero”, afirma.

Especialistas internacionais defendem que, com a ampliação da expectativa de vida feminina, políticas públicas de rastreamento podem precisar de ajustes para garantir diagnóstico precoce e redução de mortes evitáveis.