Ter amigos te faz viver melhor, comprova a ciência Foto: Divulgação/Herbalife

Evidências reforçam que ter amigos e relações sociais de qualidade influenciam diferentes aspectos da saúde física e emocional

Em um momento em que a solidão tem sido apontada como um desafio crescente para a saúde pública, estudos científicos reforçam que cultivar amizades e manter uma rede de apoio pode trazer benefícios que vão muito além do bem-estar emocional. As evidências mostram impactos positivos sobre a saúde mental, cardiovascular, cognitiva e até sobre a longevidade.
 

“As relações sociais influenciam comportamentos, ajudam a reduzir o estresse e contribuem para uma melhor saúde física e emocional ao longo da vida. Por isso, devem ser consideradas um importante fator para a saúde e para o bem-estar físico e mental”, coloca o médico nutrólogo Nataniel Viuniski.
 

Embora a tecnologia tenha ampliado as possibilidades de conexão, especialistas alertam que quantidade de contatos não substitui relações significativas. Para a ciência, a qualidade dos vínculos sociais é um dos fatores que mais influenciam o bem-estar ao longo da vida.
 

As evidências apontam pelo menos seis benefícios importantes:
 

Ter amigos ajuda você a viver mais

Manter uma rede de relacionamentos sólida está associado a uma vida mais longa. Isso é o que mostra uma meta-análise publicada na revista PLOS Medicine, que reuniu dados de mais de 300 mil pessoas. Os pesquisadores observaram que indivíduos com vínculos sociais mais fortes apresentaram uma probabilidade cerca de 50% maior de sobrevivência durante o período de acompanhamento dos estudos, que foi de 7,5 anos em média, quando comparados àqueles com relações sociais mais frágeis ou maior isolamento.
 

A amizade contribui para a saúde mental e para ser mais feliz

Conversar, compartilhar experiências e sentir que existe alguém com quem contar faz diferença para a saúde emocional. Um estudo publicado no The Lancet mostrou que pessoas mais conectadas socialmente e menos propensas a se sentir isoladas apresentam menor risco de desenvolver sintomas de depressão e ansiedade.
 

Décadas de dados levantados pelo Harvard Study of Adult Development e publicados no livro The Good Life, escrito pelos pesquisadores Robert Waldinger e Marc Schulz, destacam ainda que relacionamentos próximos e de qualidade estão entre os fatores mais importantes para a felicidade, a saúde e a satisfação com a vida.
 

Ter bons amigos contribui para a imunidade e a saúde do coração

Os benefícios das amizades não se limitam ao bem-estar emocional. Uma revisão publicada no Sage Journals mostrou que relacionamentos positivos podem influenciar mecanismos biológicos importantes para a saúde. Estudos analisados pelos autores sugerem que pessoas com boas conexões sociais tendem a apresentar respostas mais equilibradas ao estresse. O que pode repercutir positivamente sobre o funcionamento do sistema imunológico e a saúde cardiovascular.
 

“Uma das explicações é que o apoio emocional ajuda o organismo a lidar melhor com situações desafiadoras do dia a dia”, comenta Viuniski.


Ter amigos ajuda a manter o cérebro ativo

As amizades também contribuem para a saúde cognitiva. Estudos sugerem que manter uma vida social ativa e cultivar relacionamentos pode ajudar a proteger a saúde cognitiva durante o envelhecimento, enquanto a solidão tem sido associada a um maior risco de demência.


Participar de encontros, atividades em grupo e conversas frequentes estimula diferentes funções cerebrais, como memória, linguagem, atenção e raciocínio. Além disso, o convívio social costuma favorecer uma rotina mais ativa e estimulante, fatores importantes para a saúde do cérebro no processo de envelhecimento.


Ter amigos incentiva hábitos saudáveis

Amigos também podem funcionar como fonte de motivação para hábitos saudáveis. Uma revisão científica identificou que o apoio social está associado a uma maior adesão à prática de atividade física, ajudando as pessoas a manterem uma rotina de exercícios.
 

“O apoio social é um importante fator para manter hábitos saudáveis. Participar de grupos de atividade física, comunidades de bem-estar ou iniciativas coletivas pode aumentar a motivação e a adesão a uma rotina mais saudável”, finaliza o nutrólogo.