Dieta anti-inflamatória funciona? Mitos e verdades sobre
Excluir itens específicos do cardápio virou moda para tratar de diabetes a lipedema. Mas especialista alerta: o verdadeiro vilão não é um único alimento, e sim o excesso de gordura, ultraprocessados e uma dieta desequilibrada.
Basta rolar o feed das redes sociais para se deparar com a promessa da vez: a “dieta anti-inflamatória”. Vendida como a solução definitiva para uma série de condições de saúde, ela propõe a exclusão de diversos alimentos do dia a dia. No entanto, a ciência e os consultórios médicos mostram que a realidade do nosso metabolismo é um pouco diferente — e bem menos restritiva.
Dieta anti-inflamatória não é fórmula mágica
A médica endocrinologista Lorena Lima Amato alerta para a frustração que essas promessas podem gerar. “Muitos pacientes chegam até mim querendo uma dieta anti-inflamatória ou referindo que precisam segui-la para resolver algum problema específico, como diabetes, lipedema ou síndrome dos ovários policísticos. No entanto, não há evidência científica de que algum alimento, especificamente, resolva isso”, esclarece.
O grande equívoco está em culpar ingredientes isolados. A menos que exista uma condição clínica confirmada, como uma alergia, por exemplo, a exclusão aleatória não traz benefícios reais. “Se você não tem uma alergia bem documentada ou uma intolerância diagnosticada com exames específicos, não existe evidência de que algum alimento, por si só, possa ser inflamatório ao seu organismo”, pontua Dra. Lorena Amato.
A verdadeira raiz da inflamação
Mas, afinal, o que inflama o corpo? A resposta está na balança e na fita métrica. A Dra. Lorena explica que a inflamação que prejudica a saúde é, na verdade, uma condição sistêmica crônica, intimamente ligada ao excesso de peso e à gordura localizada.
“Muitas vezes, o paciente nem tem obesidade, mas tem síndrome metabólica, que tem como princípio o acúmulo de gordura visceral, a gordura da barriga. Esses estados são, sim, estados inflamatórios crônicos”, detalha a endocrinologista. “É muito bem estabelecido que a obesidade promove o aumento de citocinas inflamatórias. Se o corpo fica num estado inflamado, então qualquer dieta que você faça que leve à diminuição de gordura visceral e corporal total vai ser anti-inflamatória”, explica Dra. Lorena Amato.
Ou seja, o segredo não é cortar um alimento “X” ou “Y”, mas sim adotar uma estratégia alimentar que promova a perda da gordura que está sobrecarregando o organismo.
Embora não existam alimentos que “curem” a inflamação sozinhos, as escolhas à mesa impactam diretamente a saúde global, especialmente a do intestino. É neste ponto que a qualidade da dieta faz toda a diferença.
“É claro que existem evidências na saúde intestinal, pois há associação com câncer de cólon. O consumo de alimentos ultraprocessados e de carne vermelha todos os dias não é interessante para o intestino”, pondera a Dra. Lorena. Ela também ressalta a importância de evitar picos de glicose no sangue, reduzindo o consumo de alimentos de alto índice glicêmico. “Tudo isso vai melhorar a sua saúde global e intestinal. Agora, falar que um alimento ou outro, isoladamente, é anti-inflamatório e que apenas retirá-lo da dieta resolve o problema, não tem evidência científica.”
A recomendação da especialista para quem busca mais saúde e qualidade de vida: “Se você quer estar mais saudável, perca peso com uma alimentação rica em fibras vegetais, alimentos naturais e sem ultraprocessados (que são os pacotinhos). Assim, você vai desinflamar o seu corpo de forma eficaz”, orienta Dra. Lorena.