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Especialista cria cartas interativas para aproximar mães e filhas
Falar sobre menstruação, mudanças no corpo e sentimentos ainda é desconfortável para muitas famílias. Em meio a dúvidas silenciosas, vergonha e desinformação, meninas crescem sem entender plenamente o próprio corpo e muitas mães não sabem como conversar sobre o tema.
Foi a partir dessa percepção que a fisioterapeuta pélvica, especialista em saúde pélvica feminina e escritora Berenice Shakti criou Cartas para Adelaine, obra composta por cards interativos que ajudam mães e filhas a desenvolverem conversas sobre puberdade, consentimento, autoestima, ciclos menstruais, desenvolvimento emocional e autocuidado de forma acolhedora.
Abaixo, reunimos seis perguntas comuns entre adolescentes, com respostas leves que ajudam a transformar a menstruação em um assunto possível dentro de casa. Confira:
1. É normal sentir vergonha da menstruação?
Muitas meninas ainda associam a menstruação a algo “sujo” ou constrangedor, principalmente pela falta de diálogo. Segundo Berenice Shakti, o sangue menstrual não é um problema, mas um sinal de saúde e funcionamento do corpo.
“Quando a menina entende o próprio ciclo sem medo ou culpa, ela aprende a cuidar do corpo com mais consciência e autoestima”, explica.
2. Por que meu humor muda tanto durante o ciclo?
Nem todos os dias serão iguais e isso é natural. O corpo feminino passa por oscilações hormonais que impactam emoções, energia e disposição.
“Você não é estranha, você é cíclica”, diz uma das cartas. Aprender a observar esses sinais ajuda a adolescente a compreender melhor o próprio funcionamento emocional.
3. O que é menarca?
Menarca é o nome dado à primeira menstruação. Mais do que um evento físico, ela representa uma nova fase de desenvolvimento.
A autora defende que esse momento deveria ser vivido com acolhimento, informação e menos medo. “A primeira menstruação não precisa ser traumática ou silenciosa”, afirma.
4. Meu corpo está mudando muito. Isso é normal?
Crescimento dos seios, surgimento de pelos, alterações emocionais e mudanças físicas fazem parte da puberdade.
Segundo Berenice, cada corpo possui um ritmo único. Comparações constantes podem gerar insegurança e afastar meninas da construção de uma relação saudável com o próprio corpo.
5. É errado ter curiosidade sobre o próprio corpo?
Não! A curiosidade faz parte do desenvolvimento humano e conhecer o próprio corpo é uma forma de proteção e autocuidado.
O problema, segundo a autora, acontece quando dúvidas são tratadas como pecado, vergonha ou proibição absoluta, fazendo adolescentes buscarem respostas em lugares inseguros.
6. Redes sociais podem afetar autoestima?
Sim! Comparações constantes com corpos, rotinas e vidas “perfeitas” impactam diretamente a relação das adolescentes com a própria imagem.
Em uma das das cartas, Berenice reforça que autoestima não deve depender de curtidas ou filtros. “Sua beleza não precisa de filtro. Seu valor não depende de aprovação externa”, resume a especialista.