
Praticamente todo mundo tem uma superstição para chamar de sua. Mas será que a espiritualidade concorda com elas?
Evitar espelhos quebrados, não passar por debaixo de escadas, desvirar os chinelos… Às vezes, até os pobres gatinhos pretos são alvo! Onde houver pessoas, provavelmente haverá superstições. Muitos de nós repetimos esses gestos de forma praticamente automática, acreditando estar obedecendo à espiritualidade. Mas será mesmo? Para esclarecer o que realmente devemos considerar para proteger nossa vida de males espirituais, a MALU conversou com Klarah, oraculista com mais de 20 anos de experiência, terapeuta floral e consultora esotérica da iQuilibrio.
Sim, são mitos!
A oraculista é taxativa: superstições não precisam ser levadas tão ao pé da letra. “Sendo honesta, nem mesmo os seres espirituais devem entender de onde nós, humanos, tiramos tanta imaginação! Superstições são atos que, de tanto repetir, passamos a associar a algo que passou a ‘dar sorte’ ou ‘proteger’. O Brasil, inclusive, é um dos países que mais têm superstições no mundo”, inicia.
Para ela, o que a espiritualidade realmente deseja é que protejamos nossa fé e confiança no Divino, independentemente do que aconteça. “O medo é uma frequência extremamente baixa, e, quando ressoamos certos receios, como passar por debaixo da escada, por exemplo, estamos automaticamente dando poder a algo que não nos afetará. A espiritualidade sempre nos orienta a sermos corajosos”, recomenda.
Muitas superstições têm origens culturais
Klarah explica, inclusive, que crenças como o famoso chinelo virado têm raízes ciganas. “Para nós, romanis, os calçados virados lembram os pés de um defunto e têm um grande poder. A lenda surgiu com a história de um conde, que tinha a mania de deixar seus calçados (e, consequentemente, a família fazia o mesmo) virados para baixo. Ao ver isso, um empregado cigano previu a morte da esposa e dos filhos dele, mas ele ignorou e, em pouco tempo, a família sofreu um acidente e realmente morreu. Desde então, a história se espalhou e virou superstição.”
Mas, afinal, as superstições realmente têm poder em nossa vida? Para a oraculista, depende! “Há situações que devem seguir um preceito, e muitos associam esses preceitos à superstição. Uma coisa que muitos não sabem: cruzar os dedos, pela tradição cigana, não é nada bom. Cruzar os dedos cancela energias ou as prende. Quando queremos que algo dê certo, evitamos até mesmo usar tranças no dia. Não cruzamos nem as pernas. Deixamos as energias livres e com fluxo, para que tudo flua. Outro exemplo são os amuletos. Amuletos não são superstições; eles, na verdade, carregam a proteção a algo ou alguém, como pára-raios espirituais”, esclarece.
Algumas são nocivas!
Para Klarah, as superstições que realmente fazem mal são as que envolvem animais. “Culpar corujas, gatos e sapos por erros humanos é a pior coisa. Sacrifícios de animais em prol de magias infundadas, então, pior ainda. A superstição é quando me apoio em algo extra ou quando preciso culpar algo por ter dado errado, quando, na verdade, muitas vezes estamos na hora e no dia errados em tal situação, e isso influencia nas energias”, exemplifica.
Mas, acima de superstições, a espiritualista aconselha que todos nós precisamos cultivar a nossa fé, ainda que as possibilidades estejam contra nós. “É a fé verdadeira em nosso destino que nos sustenta a confiar que estamos no caminho certo e tudo irá fluir. A fé é a certeza de que o Divino sempre reserva o melhor para nós, por mais que não enxerguemos isso de primeira. E mais pra frente, notamos que estamos onde deveríamos estar, com as pessoas certas e no lugar certo.”
Conselhos finais
Ainda segundo a oraculista, é um costume do ser humano procurar um motivo para tudo, mas para ela, nem sempre é bom tentar encontrar o porquê das coisas acontecerem. “Não é porque eu estava com tal blusa e esta blusa me deu azar, ou porque tal cor atrai energias negativas. Nem tudo é sobre sorte ou azar. O mais importante mesmo é prestarmos muita atenção ao que falamos e como falamos”, pontua.
Isso porque uma crença popular realmente verdadeira é a de que as palavras têm poder. “De tanto falar, estipular, enaltecer e ‘mantralizar’ certas crenças, podemos colocar poder em objetos, tanto para amaldiçoar quanto para abençoar. Se você crer que seus pertences são ruins, feios, malditos… ali você está magnetizando para que somente o pior aconteça envolvendo eles. E dali surge a tal superstição. Devemos ter a prudência em agradecer por tudo o que somos, temos e olhamos”, finaliza.