
Tudo o que você precisa saber para cuidar melhor do seu bichinho
Muito se ouve dizer que a castração é uma atitude importante para o controle populacional dos pets, mas ela é também um investimento na saúde e no bem-estar dos bichinhos. A cirurgia previne doenças, melhora a qualidade de vida e ainda reduz o número de animais abandonados nas ruas. Então, para entender melhor o assunto e sanar de vez todas as dúvidas sobre isso, conversamos com a veterinária Mariana Tadoni Moura Campos, da ONG Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), que já realizou mais de 4 mil castrações em pets em situação de vulnerabilidade.
Por que castrar é tão importante?
Muitos tutores ainda têm dúvidas sobre a necessidade da castração e resistem em realizar a cirurgia. Mas a veterinária esclarece que o procedimento vai muito além de evitar crias indesejadas. “A castração é importante principalmente porque evita uma série de doenças, como alguns tipos de neoplasias, além de ser a única forma de diminuir a superpopulação de animais em situação de rua e vulnerabilidade”, destaca Mariana.
O Brasil tem milhões de animais abandonados, e a única maneira real de reduzir esse número é por meio da castração. “Cada pet castrado representa menos filhotes nascendo em condições precárias e menos sofrimento nas ruas”, enfatiza Mariana.
Além disso, “animais castrados vivem mais e melhor”, como enfatiza a veterinária, que explica que a cirurgia tem um impacto direto na saúde dos animais. “Nas fêmeas, reduzimos em até 95% o risco de tumores mamários quando a castração acontece antes do primeiro cio. Além disso, prevenimos infecções graves, como a piometra, e problemas hormonais, como a gravidez psicológica”, afirma.
Nos machos, os benefícios também são grandes. “A castração previne alterações de próstata, como hiperplasia e tumores, além de eliminar o risco de câncer testicular”, completa.
Com quantos meses o pet deve ser castrado?
A idade ideal para a castração pode variar de acordo com o contexto, segundo Mariana. “Para animais em situação de rua, que correm grandes riscos e podem se reproduzir sem controle, indicamos a castração a partir dos dois meses de vida, chamada de castração pediátrica”, explica a especialista.
Já para pets que vivem em casa, ela responde que a cirurgia costuma ser recomendada após o término do protocolo vacinal, por volta dos cinco meses. “Há exceções, mas isso deve ser analisado individualmente”, reforça.
Todo animal pode ser castrado?
Em geral, a resposta é sim. “A única contraindicação ocorre quando o animal tem algum problema de saúde que torna o risco anestésico maior do que os benefícios da cirurgia”, alerta Mariana. Por esse motivo, exames pré-operatórios são fundamentais para garantir um procedimento seguro.
Quais são os riscos e efeitos colaterais?
É claro que toda cirurgia envolve algum risco, mas a especialista garante que, no caso da castração, os benefícios superam as preocupações. “O procedimento é seguro, desde que o animal passe por exames prévios e tenha acompanhamento veterinário adequado”, ressalta.
Entre os cuidados pós-operatórios, Mariana indica que o tutor deve administrar a medicação indicada, evitar que o pet corra ou pule nos primeiros dias e manter a ferida cirúrgica limpa e protegida.
A castração muda o comportamento do pet?
Essa é uma dúvida bastante comum entre tutores. Segundo Mariana, algumas mudanças podem acontecer, mas não são radicais. “Os animais tendem a ficar menos territorialistas e, muitas vezes, mais calmos. No caso dos machos, diminui a necessidade de marcar território e a vontade de sair para procurar fêmeas, o que reduz riscos como atropelamentos e brigas”, conclui.