
Confira os diversos benefícios que ter amigas pode fazer pela saúde mental e física das mulheres
Rivalidade feminina? Balela, e quem garante é a ciência! Diversos estudos apontam que a amizade entre mulheres e, até mesmo, manter amigas ao longo da vida, influencia positivamente na saúde, carreira e bem-estar, colaborando para a diminuição da sensação de estresse e até a longevidade. Embora o laço de amizade seja constantemente negligenciado, é de conexões profundas, não só amorosas ou parentais, mas também com amigos, que os humanos conseguem melhorias significativas no físico e emocional.
Por exemplo, segundo um artigo publicado em 2016 na revista científica Psychology and Aging, a amizade entre mulheres é um fator protetivo contra o risco de demência. Entretanto, todo mundo também sabe que é mais difícil manter amizades após a vida adulta. Para entender tudo o que uma boa amizade pode fazer na vida das mulheres, incluindo como fazer novas amigas, Malu conversou com Tâmille Cristhine de Morais, psicóloga especializada em pais, crianças, adolescentes e mulheres.
Como a amizade entre mulheres podem impactar a saúde mental e o bem-estar delas?
“As amizades femininas têm um papel essencial na promoção da saúde mental e do bem-estar emocional. A conexão entre mulheres pode funcionar como uma rede de suporte emocional, ajudando a lidar com desafios da vida cotidiana, maternidade, carreira e autocuidado. O compartilhamento de experiências e o acolhimento genuíno fortalecem a autoestima, reduzem sintomas de ansiedade e depressão, e proporcionam uma sensação de pertencimento, fundamental para o bem-estar psicológico.”
Podemos dizer que a amizade entre mulheres pode promover mudanças sociais? Afinal, rivalidade feminina ainda é um problema.
“Sim, a amizade entre mulheres têm um impacto significativo na transformação social. Ao contrário da rivalidade feminina, historicamente estimulada por padrões patriarcais para nos dividir, a sororidade nos fortalece. Quando mulheres se apoiam, criam ambientes mais saudáveis e oportunidades de crescimento mútuo, seja no trabalho, na maternidade ou na vida pessoal. O incentivo ao companheirismo e à colaboração desconstrói estereótipos e abre caminhos para maior equidade e representatividade em diversos espaços.”
Em que medida redes de apoio femininas nos ajudam a enfrentar os desafios da vida?
“As redes de apoio são fundamentais para a saúde mental. No campo pessoal, ajudam a lidar com desafios como a sobrecarga materna, relacionamentos e autoconfiança. No profissional, são essenciais para trocar experiências, encontrar oportunidades e enfrentar desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Ter um grupo de apoio reduz a sensação de solidão e fortalece a resiliência emocional, possibilitando que mulheres se sintam mais seguras para tomar decisões e buscar mudanças.”
De que maneira as amizades femininas influenciam na longevidade e na qualidade de vida?
“Relações sociais saudáveis são um fator protetor para a saúde física e mental das mulheres. Estudos apontam que mulheres que mantêm vínculos afetivos próximos têm menor risco de desenvolver depressão, doenças cardíacas e até demências na terceira idade. Entre eles, destaca-se um estudo publicado pela Universidade da Califórnia nos anos 2000, que concluiu que mulheres idosas com amigas vivem mais. O suporte emocional que as amizades proporcionam ajuda a reduzir os impactos do estresse e promove hábitos saudáveis, como a prática de exercícios e o autocuidado. Amizades são, portanto, um pilar essencial para uma vida mais longa e com qualidade.”
Afinal, como fazer amigas, principalmente após os 30 anos, que é quando as pessoas em geral começam a relatar maior solidão?
“Na vida adulta, construir novas amizades pode parecer desafiador, mas é totalmente possível. Muitas mulheres nessa fase relatam solidão devido às responsabilidades do trabalho, da maternidade ou da rotina intensa. Para criar novas conexões, é importante se abrir para novas experiências, como participar de grupos de interesse comum, frequentar espaços coletivos e investir nas relações já existentes. Além disso, é essencial normalizar a iniciativa de convidar alguém para um café ou um bate-papo, pois a vulnerabilidade e a autenticidade são fundamentais para criar laços verdadeiros.”
A influência e importância das amizades femininas muda ao longo de cada fase da vida? Qual a diferença entre se manter uma amiga na adolescência, na vida adulta e na terceira idade, por exemplo?
“As amizades femininas passam por transformações ao longo da vida. Na adolescência, são intensas e ajudam na construção da identidade. Na vida adulta, tendem a ser mais seletivas e baseadas na qualidade do vínculo, uma vez que o tempo e as prioridades mudam. Já na terceira idade, a amizade se torna um fator essencial para a saúde mental, ajudando a combater a solidão e promovendo bem-estar emocional. Em todas as fases, o que mantém uma amizade é o compromisso com a escuta, o respeito e o afeto mútuo.”
Para saber mais!
Há diversas histórias de amizades emocionantes por aí. Na verdade, algumas amizades entre mulheres mudaram a história do mundo, como por exemplo Ivone Lara e Nise da Silveira, enfermeira e médica psiquiatra que, respectivamente, se uniram e revolucionaram a forma como pessoas com doenças mentais eram tratadas no Brasil. Algumas dessas jornadas estão retratadas no livro ganhador do Jabuti Juvenil de 2021, Amigas que se encontraram na história: volume 2, das autoras (e amigas!) Angélica Kalil e Amma, publicado pela Editora Seguinte. Fica a recomendação!