A jornalista Juliane Massaoka viveu um drama ao descobrir a presença de PMMA no organismo: nariz reconstruído (Foto: Reprodução/Globo)
Especialista deve conduzir o procedimento e seguir rigor técnico para evitar complicações; Anvisa autoriza uso de PMMA
O caso da mulher de 48 anos que morreu após um procedimento estético realizado na zona sul de São Paulo ontem (26) vem repercutindo em razão do produto empregado nesse procedimento: o preenchedor PMMA (polimetilmetacrilato). De acordo com informações preliminares, a médica que conduziu o procedimento aplicou o produto nos glúteos e nas coxas da mulher. O falecimento da vítima levou a Polícia Civil a investigar a ocorrência como morte suspeita. Esse desdobramento reforça o alerta para a importância de rigor técnico, avaliação médica criteriosa e realização do procedimento por profissionais habilitados e em ambiente adequado.
O fato é que o uso de PMMA em tratamentos médicos requer extrema cautela. Embora o preenchedor seja eficaz em casos específicos — como em correções de deformidades, lipoatrofias (perda de tecido adiposo sob a pele) e reconstruções —, a aplicação não é isenta de riscos. Quando executada de forma inadequada, pode causar complicações graves, como infecções, rejeições, nódulos, inflamações e até necrose dos tecidos.
Repórter do Mais Você
Recentemente, a jornalista Juliane Massaoka, repórter do Mais Você, contou no programa que quase perdeu parte do nariz ao passar por uma cirurgia para a retirada de PMMA. Ela revelou que o produto havia sido injetado nela um tempo atrás sem que ela soubesse ou tivesse consentido. Posteriormente, numa operação para correção de desvio de septo, o cirurgião identificou a presença do preenchedor. Diante disso, ele precisou reconstruir o nariz da jornalista.
Anvisa autoriza
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da Nota Técnica nº 3/2025, confirmou a manutenção da autorização para o uso do PMMA como substância preenchedora em procedimentos médicos no Brasil. A decisão rejeita o pedido do Conselho Federal de Medicina (CFM) para restringir o uso da substância. Segundo a Anvisa, o material apresenta um perfil de risco-benefício considerado aceitável, desde que aplicado corretamente, por profissionais habilitados e em condições clínicas adequadas.
Uso de PMMA
De acordo com o dermatologista Flégon David, indica-se o PMMA para a correção de assimetrias decorrentes de traumas, síndromes congênitas ou deformidades ortopédicas. Também é uma alternativa para pacientes que desejam o aumento de grupos musculares específicos, como peitoral, ombros e glúteos.
Um estudo recente, publicado em julho de 2024, na revista internacional Plastic and Reconstructive Surgery – Global Open, concluiu que o uso do PMMA como preenchedor é seguro, eficaz e apresenta baixa incidência de efeitos colaterais. A pesquisa também demonstrou que, em comparação com outros tipos de preenchedores, o PMMA alcançou a maior taxa de segurança em tratamentos estéticos e reparadores. “A grande vantagem do PMMA é ser um preenchedor permanente, com alta capacidade de volumização, especialmente na concentração de 30% usada para bioplastia corporal”, comenta Flégon David.
Conheça as contraindicações
Apesar dos benefícios, o uso do PMMA requer atenção às contraindicações. “Não se deve realizar o procedimento em pacientes com doenças reumatológicas em atividade, como o lúpus eritematoso sistêmico, assim como aqueles que possuem implantes de silicone na região a ser tratada”, explica o médico. No caso de pacientes com implantes, existe o risco de perfuração da prótese durante a aplicação do produto.
Atenção no pós-operatório
O pós-operatório exige cuidados rigorosos: segundo o especialista, é fundamental respeitar o repouso, especialmente em bioplastias glúteas, evitando sentar diretamente sobre a região tratada. Também é necessário fazer o uso correto de antibióticos e anti-inflamatórios prescritos. Além disso, o médico responsável pelo procedimento deve seguir protocolos rigorosos de antissepsia para minimizar riscos, garantindo que a aplicação ocorra em um ambiente devidamente preparado.
Edição: Fernanda Villas Bôas