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O pai tentou fazer de tudo para ficar próximo dos filhos e protegê-los
A história contada é essa: Ferette (Murilo Benício) é um bandido cruel, que mandou matar o pai de Paulinho (Rômulo Estrela), um policial que estava investigando seus crimes. Mas a verdade é muito mais profunda, e apesar de Ferette ter sido responsável pelo assassinato do homem que criou Paulinho, há uma ligação ainda mais forte entre eles, que virá à tona nos capítulos finais da trama das nove.
A ligação entre eles
Paulinho sempre foi um rapaz correto, dono de princípios ilibados, que seguiu com orgulho a carreira do homem que chamou de pai por toda a vida. Aquele era seu herói e merecia todas as honras. Quando Guilherme foi morto brutalmente, Paulinho jurou vingança e iniciou uma caçada a Ferette.
Ao olhar para Santiago Ferette, é possível enxergar um homem frio, ambicioso, capaz de tudo para ter poder e dinheiro. Já mostrou que pode ser dono das piores maldades, entre elas comandar roubos e ordenar mortes, como a do policial Guilherme.
Os dois, porém, têm algo em comum: demonstram carência no olhar, uma tristeza que vem da alma e a certeza de que falta algo — só não sabem o quê. São exatamente esses pontos que ligam Ferette e Paulinho, mas que ambos transformam em ódio: o empresário quer se dar bem a qualquer custo, enquanto o policial sonha com um mundo mais justo e coerente.
O elo
Paulinho foi trabalhar na mesma delegacia que seu pai, onde está o delegado Jairo (André Mattos), um homem que aparenta ser simpático e trabalhador, mas também corrupto, aceitando os desmandos de Ferette.
O chefe da delegacia sempre dá um jeito de minimizar os crimes do falso benfeitor, coloca panos quentes e pede que ninguém o investigue. Quando Ferette precisa ir até lá, seus aliados montam um esquema para impedir qualquer interpelação.
E o delegado tem o mesmo cuidado com Paulinho. Mesmo quando o investigador passa do ponto, Jairo está lá, passando a mão em sua cabeça, entendendo seu jeito de ser e seus destemperos. Isso ficou ainda mais claro quando Paulinho descobriu que Gerluce (Sophie Charlotte) era a mentora do roubo das Três Graças e surtou. Vê‑lo sofrendo revelou mais um lado do delegado: seu jeito carinhoso, com palavras doces e um abraço fraternal. Jairo chegou a chamar Paulinho de filho, quase pedindo para dar colo ao investigador, como forma de abrandar sua dor.
A revelação
Nos momentos finais de Três Graças, Paulinho conseguirá, enfim, ficar frente a frente com Ferette para cobrar o assassinato de Guilherme. A cena será tensa, com arma em punho e olhar cheio de ódio dos dois. Os inimigos mortais vão colocar em pratos limpos tudo o que passaram e, quando Paulinho puxar o gatilho, Jairo, assistindo a toda a situação, grita, pedindo que ele não faça nada, e diz: “Filho, não mate o seu irmão. Meu coração de pai não aguentaria tamanha dor!”
Os dois congelam. Paulinho, atordoado, abaixa a arma, olha para o delegado e suplica uma explicação. Os olhos de Jairo marejam e ele, então, pede que Paulinho e Ferette se sentem. Ali, de uma forma totalmente diferente do que Paulinho imaginava, sua vida será revelada.
Jairo conta que os dois são frutos de um grande amor, mas que a vida os separou. Quando o delegado se viu com dois filhos quase da mesma idade, ainda bebês, desesperou‑se. A dor por perder a mulher que tanto amou o deixou em depressão profunda, e foi então que Guilherme pegou Paulinho para cuidar enquanto o amigo se fortalecia. Já Ferette ficou com outro casal. Jairo sabia que precisava estar com os filhos, mas não tinha forças para isso. O tempo passou e ele nunca se recuperou, escolhendo deixar seus filhos com quem poderia dar amor de verdade.
Foi assim que eles se separaram e nunca descobriram a real história de vida. Jairo decidiu cuidar de ambos de perto já na vida adulta, tentando direcionar o caminho de Paulinho e cuidando para que Ferette não fosse parar atrás das grades. As propinas que recebeu serviram apenas para mantê‑lo próximo de seu primogênito.
Seu medo era que Ferette, por inveja e ira, atentasse contra Paulinho, como Caim contra Abel. Mas foi o contrário: o espírito de honestidade do caçula falou mais alto. Era tudo ou nada. Ou Jairo interrompia a situação com a verdade, ou veria mais uma vez alguém que ama morrer.