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Dona Beja vem aí!
“Essa história não é só sobre o passado. É sobre agora. Sobre todas as mulheres e pessoas que foram julgadas, apagadas, silenciadas e que continuam aqui. Vamos enfiar o dedo na ferida da sociedade. Os mais conservadores vão achar que é lacração. E queremos isso.” Foi com esse discurso forte que a atriz Grazi Massafera, nova intérprete de Beja, resumiu as intenções do remake Dona Beja, uma das estreias da HBO Max para este ano. A coletiva de imprensa aconteceu no dia 27, em São Paulo, e contou com a presença da artista, além de parte do elenco e da equipe criativa, incluindo o autor Daniel Berlinsky.
Ainda mais ousada
Uma história real inspirou levemente a premissa da novela. No final do século XIX, Ana Jacinta de São José escandalizava a sociedade mineira por ousar fazer algo “impensável” para as mulheres de sua época: sustentava-se por conta própria, nunca se casou e morou sozinha com os dois filhos, de pais diferentes, a vida inteira. Logo se espalhou pela região o boato de que ela era prostituta ou até uma feiticeira. Foi daí que surgiu a personagem “Dona Beja”, que inspirou livros, filmes e lendas. “Não existem provas de que ela tenha sido uma prostituta, na verdade. Mas o arquétipo da mulher livre sempre inspirou e chocou as pessoas. Em minha visão, Beja encarna justamente o que todos nós queremos: ser quem realmente somos”, pontuou Daniel.
E é essa Beja “mítica” que entrou para a história da TV ao ser encarnada pela atriz Maitê Proença na novela da Rede Manchete, em 1986. “Maitê é uma musa, uma grande inspiração. Nos tornamos amigas depois que eu fui escolhida para o papel. Ela transformou Beja em um ícone!”, revelou Grazi, que após 40 anos assumiu o manto de apresentar a personagem em uma nova roupagem: ainda mais escandalosa e reflexiva que sua primeira versão. “Encaramos mais como uma releitura do que como um remake. A novela original é espetacular para sua época e foi até onde poderia ir. Agora, abordamos também assuntos mais discutidos no mundo de hoje, como relacionamentos homoafetivos, transfobia e relações interraciais”, explicou Daniel.
À frente do tempo
Para toda a equipe, o ponto principal da história está justamente na luta de mulheres que foram e são disruptivas com a moral de sua época. “Esse foi o desafio: honrar a novela original, mas também criar uma trama que seja à frente de seu tempo em 2026, porque, embora o mundo tenha mudado menos do que gostaríamos, nossa visão enquanto sociedade se ampliou”, complementou o autor.
E embora a trama siga sendo a mesma, algumas mudanças vieram para fortalecer essa mensagem: Antônio (David Junior), o amor (e posterior rival) de Beja, nessa versão, é um homem negro, nascido livre e muito rico, com grandes aspirações políticas. “Ele quer acabar com a escravidão e, para isso, precisa ser influente, agradar os coronéis, mas no meio do caminho há o amor pela Beja. Então, ele é um homem dividido entre cumprir um legado ancestral e se realizar como homem no amor”, concluiu o ator.
Dona Beja terá 40 capítulos, e os cinco primeiros estreiam na HBO Max no dia 2 de fevereiro. A HBO Max distribuirá a novela para mais de 100 países e a exibirá semanalmente.