Filipe Bragança fala sobre João Raul, de Coração Acelerado Divulgação

Filipe Bragança vive na pele a montanha-russa de sentimentos que define o Mozão do Brasil em Coração Acelerado

O talento de Filipe Bragança é tamanho que mesmo um personagem controverso como João Raul em Coração Acelerado consegue ser colocado como o ‘Mozão do Brasil’. Protagonista da faixa das sete da TV Globo, o ator admite as contradições e complexidade de seu papel e enxerga o projeto como uma forma de mostrar novas facetas de seu trabalho, que tem sido abraçado com muito carinho pelo público.

As nuances de Raul

João Raul é um cantor sertanejo famoso que vive uma vida agitada na profissão e movimentada por seus conflitos amorosos. Nos últimos episódios que foram ao ar, ele apareceu mudado e todo romântico, chegando a pedir Naiane (Isabelle Drummond) em casamento, com direito a live no Instagram para anunciar o noivado. O problema é que, mesmo seguindo seu caminho com o novo romance, o que parece, na verdade, é que ele nunca superou Agrado (Isadora Cruz).

Apesar desse retrato de confusão, Filipe Bragança afirma que é parte da jornada do ator sustentar as contradições do personagem sem julgá-lo. “Ele é um cara muito passional, que erra tentando acertar, e isso exige da gente uma escuta muito honesta”, diz. Ele pontua o fato de que as cenas do cantor sofrem grandes variações de emoções, o que faz com que não só ele, mas o público, acompanhe todas essas etapas. “Tem: cenas de humor, cenas de romance, cenas sensuais, cenas tristes, cenas dramáticas… E você está sempre nessa montanha-russa indo com ele, trazendo sentido para todas essas nuances”, discorre o ator.

Desafios da vida de ator

Mesmo se vendo muito diferente de seu personagem, Filipe reforça que, para ele, isso é parte natural do trabalho do ator. “É preciso entender de onde vem aquela atitude. Mesmo quando eu não concordava, eu buscava encontrar a lógica emocional dele. Quando você encontra isso, você não está mais julgando, está defendendo a verdade daquele personagem”, pontua.

A preparação para dar vida a Raul, segundo ele, foi um misto de técnica — especialmente para a parte musical e corporal de palco — e a própria percepção, resgatada de sua bagagem na atuação. “Mas eu acho que, no set, o que mais me guia é o instinto. A preparação te dá segurança, mas é no momento, no encontro com o outro, que as coisas ganham vida de verdade”, afirma.

Musicalidade presente no trabalho

Esse não é o primeiro contato de Filipe com os contextos musical e dramaturgia caminhando juntos. Além das experiências musicais no teatro, em 2022, ele interpretou o jovem Sidney Magal no filme do icônico cantor brasileiro. Porém, ele admite que Coração Acelerado o ajudou a explorar uma faceta sua a qual o público ainda não tinha tido acesso. “Nunca tive um holofote tão grande quanto um protagonista em uma novela das sete. Tem sido essencial para mostrar esse meu lado musical e até corporal, pois um músico tem um movimento de corpo completamente diferente, principalmente o João Raul, que vive rebolando nos palcos”, responde bem-humorado.

Mesmo com certa familiaridade com o cenário musical, Filipe não nega uma certa ansiedade que surge quando ele precisa encenar em cima dos palcos. “Sempre tem aquele frio na barriga, que eu acho importante, porque mantém a gente vivo”, admite. Porém, ele diz que o êxtase e a experiência profissional se mostram tão presentes quanto. “Quando começa, vem uma confiança que é de experiência também. Eu sou um ator muito mais seguro e confiante do que eu era quando estava começando”, conclui.