6 benefícios e desafios do home office

Pesquisa aponta melhora na qualidade de vida de 68% dos profissionais, mas também revela desafios ligados à saúde mental

O trabalho remoto deixou de ser uma solução emergencial e se consolidou como uma realidade para milhões de profissionais no Brasil. Em 2025, 67,7% dos trabalhadores afirmaram que o home office melhorou sua qualidade de vida, segundo um levantamento da HUG, empresa especializada na curadoria e alocação de profissionais da área de comunicação. Apesar dos ganhos, o estudo também acende um alerta: o modelo ainda apresenta desafios importantes, especialmente relacionados à saúde mental e ao suporte corporativo.

Confira os benefícios e desafios do home office

A seguir, especialistas destacam 6 benefícios e desafios do trabalho remoto que ajudam a responder à pergunta: afinal, home office faz bem?

1.⁠ ⁠Mais qualidade de vida e flexibilidade

A possibilidade de trabalhar de casa reduziu o tempo gasto em deslocamentos e ampliou a autonomia dos profissionais. Para a maioria dos entrevistados, isso se traduziu em mais tempo para a família, autocuidado e organização da rotina. Outros 23,1% relataram impactos mistos, com ganhos acompanhados de desafios, enquanto apenas 9,2% avaliaram o modelo de forma predominantemente negativa.

“O home office deixou de ser um benefício pontual e passou a influenciar diretamente as escolhas de carreira. Hoje, os profissionais avaliam não apenas o salário, mas também flexibilidade, autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho”, explica Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG.

2.⁠ ⁠Redução do estresse do trânsito

Um dos benefícios mais citados por quem trabalha remotamente é a eliminação do deslocamento diário, fator historicamente associado ao aumento do estresse, da fadiga e da irritabilidade. A ausência do trânsito contribui para uma rotina mais leve e para a preservação da saúde física e emocional.

3.⁠ ⁠Mais autonomia, mas risco de excesso de jornada

Apesar da flexibilidade, o home office também pode levar à dificuldade de estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal. Muitos profissionais relatam jornadas mais longas e dificuldade para “desligar”, especialmente em empresas que não possuem políticas bem definidas para o modelo remoto.

4.⁠ ⁠Impactos na saúde mental

O estudo revela que 83,6% dos profissionais relataram ao menos um sintoma psicológico no último ano, como ansiedade, dificuldade de concentração, burnout, insônia ou isolamento social. A ansiedade lidera o ranking (51,5%), seguida por dificuldade de concentração (47%) e sensação de exaustão (39,6%).

“O trabalho remoto trouxe ganhos reais, mas também evidenciou uma lacuna importante: muitas empresas ainda não estruturaram estratégias eficazes de apoio emocional. Flexibilidade sem cuidado com a saúde mental pode gerar profissionais exaustos e menos produtivos”, avalia Raquel Nunes, especialista em Recursos Humanos.

5.⁠ ⁠Falta de suporte das empresas

Mesmo com o aumento das queixas emocionais, 43,3% dos profissionais afirmam não receber nenhum tipo de apoio corporativo para saúde física ou mental. Apenas 34,3% dizem contar com políticas estruturadas, enquanto 22,4% avaliam que o suporte existe apenas parcialmente.

O acesso à terapia também reflete esse descompasso: 50% dos entrevistados pagam do próprio bolso pelo acompanhamento psicológico, e somente 11,9% contam com esse benefício oferecido pela empresa.

6.⁠ ⁠Isolamento social e perda de vínculos

Outro desafio recorrente é o isolamento. A ausência do convívio presencial pode impactar a sensação de pertencimento, a troca informal de aprendizados e até o engajamento com a equipe, especialmente quando não há iniciativas de integração no ambiente digital.

Home office exige equilíbrio

Os dados mostram que o trabalho remoto pode, sim, melhorar a qualidade de vida, desde que venha acompanhado de políticas claras, suporte emocional e gestão consciente. O modelo, quando bem estruturado, tende a favorecer tanto os profissionais quanto as organizações, mas exige atenção contínua à saúde mental e aos limites da rotina digital.