Março Amarelo alerta para sintomas e impactos da endometriose

Especialista alerta que o diagnóstico precoce é essencial para o controle da doença

O mês de março é dedicado à campanha do Março Amarelo, que visa promover a conscientização sobre a endometriose. Essa é uma condição ginecológica na qual o tecido que reveste a parte de dentro do útero, chamado endométrio, cresce fora do útero, principalmente na região pélvica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a endometriose atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo. Por ser uma doença inflamatória benigna e muitas vezes assintomática pode ao longo do tempo impactar várias regiões do organismo, inclusive a fertilidade.

“Por seu quadro inflamatório, a endometriose pode causar dor pélvica de uma intensidade variável e complicações reprodutivas, incluindo infertilidade, pois pode afetar os ovários e as trompas uterinas”, alerta o ginecologista Marcelo Marinho de Souza, especialista em Medicina Reprodutiva e Diretor da Fertipraxis – Centro de Reprodução Humana (RJ).

Sintomas da endometriose

Segundo o médico, os sintomas mais comuns costumam ser:

  • Cólicas menstruais, podendo ser intensas, incapacitantes;
  • Dor durante a relação sexual (dispareunia);
  • Dificuldade para engravidar;
  • Alterações intestinais.

“Por isso, é importante estar atenta aos fatores de risco. Eles incluem: histórico familiar, alterações de padrão de fluxo menstrual e alguns fatores imunológicos”, enumera.

Tratamento

O médico complementa que o diagnóstico precoce da endometriose é essencial para oferecer às mulheres afetadas a oportunidade de controlar a condição, aliviar os sintomas, preservar a fertilidade e prevenir complicações futuras. “O tratamento da endometriose é usualmente amplo e requer mais de uma abordagem. Uma delas é o uso de medicamentos hormonais e anti-inflamatórios. Deve ser individualizado, levando-se em consideração os sintomas e intensidade”, explica Marcelo.

O médico afirma que é preciso ter o acompanhamento multidisciplinar para abranger todos os aspectos biopsicossociais. “Principalmente por ser uma doença de caráter inflamatório e responsiva aos hormônios, considera-se mudança de estilo de vida, incorporando-se atividade física regular, exposição ao sol, dieta equilibrada estabelecida por nutricionista e o uso de medicações”.

Em casos mais graves, o médico explica que pode ser necessário uma abordagem cirúrgica, com equipe devidamente especializada, em especial, pacientes com quadros mais graves, de endometriose profunda, com acometimento de outros órgãos, como bexiga e intestino”, finaliza.