Varizes: nem toda dor nas pernas vem delas

Especialista explica por que elas nem sempre são a causa da dor nas pernas e alerta para outros diagnósticos possíveis

As varizes são frequentemente associadas à dor, ao cansaço e à sensação de peso nas pernas, sintomas que, de fato, podem estar relacionados à problemas de circulação.

No entanto, nem toda dor nas pernas deve ser atribuída automaticamente a elas. Segundo Maurício Leite, ortopedista e cirurgião, membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), é comum que, por serem visíveis, essas alterações acabem sendo responsabilizadas de alguma forma pelos sintomas.

“É muito frequente elas levarem a culpa justamente porque aparecem, mas nem sempre são as verdadeiras responsáveis. Existem alguns nervinhos na perna que, quando não estão funcionando bem, provocam uma dor muito parecida, aquele peso na perna, o cansaço, a dor que melhora com o repouso”, explica.

Se não as varizes, quem?

O médico alerta que, quando a avaliação vascular descarta as varizes como causa principal da dor, é fundamental ampliar a investigação. Alterações neurológicas, como neuropatias periféricas ou compressivas, podem apresentar sintomas muito semelhantes aos das doenças venosas, confundindo o diagnóstico e retardando o tratamento adequado.

A dor crônica, aliás, é um problema de grande impacto global. Cerca de 30% da população do planeta convive com esse tipo de condição, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Além de comprometer a qualidade de vida, a dor persistente pode desencadear quadros de ansiedade e depressão. No Brasil, o cenário é semelhante. Dados do Ministério da Saúde indicam que 37% dos brasileiros com mais de 50 anos sofrem com dores crônicas.

“Quando a dor não melhora com as abordagens habituais, é importante investigar outras causas. Em algumas situações, os sintomas podem estar relacionados a neuropatias dos membros inferiores, que se confundem com os das varizes. Nesses casos, identificar corretamente a origem do problema permite direcionar o tratamento adequado, como a descompressão nervosa, quando indicada”, conclui o Dr. Maurício.

O especialista reforça que a avaliação individualizada é indispensável para esclarecer a origem da dor e definir a melhor conduta. Por isso, ao perceber sintomas persistentes, o paciente deve buscar orientação e manter acompanhamento com um médico de confiança, garantindo um diagnóstico preciso e um tratamento mais seguro.