Como seguir em meio ao luto; especialista orienta Foto: Globo/ Beatriz Damy

Psicóloga explica como enfrentar o luto, seus sinais e quando a dor exige atenção

A reta final do Big Brother Brasil surpreendeu e emocionou o público ao trazer à tona um tema delicado: o luto. Durante o programa, duas figuras centrais enfrentaram perdas profundas. O apresentador Tadeu Schmidt perdeu o irmão, Oscar Schmidt, e a campeã Ana Paula Renault recebeu a notícia da morte do pai, Gerardo Renault.

Como seguir em meio à dor

A psicóloga Ellen Moraes Senra explica que o luto não é um processo rígido, mas, sim, fluido. Embora existam cinco fases conhecidas (negação, barganha, depressão, raiva e aceitação), elas não ocorrem necessariamente em sequência.

“Pode parecer que a pessoa aceitou a perda e, no momento seguinte, ela pode ser tomada por raiva, sensação de injustiça ou tristeza profunda. Essas oscilações são naturais e fazem parte da elaboração da perda. Cada pessoa vivencia o luto de forma diferente, sem um padrão fixo de comportamento ou reação”, relata a especialista.

Psicóloga Ellen Moraes Senra | Foto: Amanda Coimbra

Quando o luto deixa de ser saudável

Ellen destaca que é importante diferenciar o luto de quadros mais graves, como depressão ou estresse pós-traumático. O principal sinal de alerta está na duração e no impacto na vida da pessoa. “A fase depressiva do luto tende a durar alguns dias e melhorar naturalmente. Quando essa condição se prolonga por semanas e começa a trazer prejuízos funcionais, pode indicar um adoecimento psíquico”, afirma.

Reações físicas e emocionais

Durante o programa, muitos espectadores observaram que Ana Paula apresentou tremores ao receber informações e lidar com o contexto emocional. Para a psicóloga, esse tipo de reação pode estar ligado à forma como a pessoa está processando a situação. “Além da perda, havia o impacto de estar confinada e diante de uma decisão importante entre permanecer no jogo ou sair. Esse conflito pode intensificar as respostas emocionais e físicas.”

“O luto pode se manifestar de diferentes maneiras. Há quem chore, quem entre em estado de choque, quem desmaie, quem pareça firme ou até quem não consiga expressar emoções. O luto impacta a saúde mental de diversas formas. A sensação de perda e desamparo tende a se intensificar quanto maior é o vínculo com a pessoa que se foi”, explica Ellen.

Seguir trabalhando é uma escolha individual

Tanto Tadeu Schmidt quanto Ana Paula Renault optaram por seguir com suas atividades profissionais mesmo diante do luto recente. Para a especialista, quando perdemos alguém, muitas vezes buscamos refúgios. “Às vezes, a pessoa acredita que o melhor é continuar na rotina, seja para evitar a dor ou por medo de se afundar nela.”

No caso de Ana Paula, havia ainda o contexto do confinamento e da competição, em que a saída implicaria abrir mão da disputa pelo prêmio. Ainda assim, a psicóloga reforça que qualquer decisão seria legítima.

O luto precisa ser vivido

Apesar de diferentes formas de enfrentamento, Ellen alerta que o luto não pode ser adiado indefinidamente. “Vai chegar um momento em que será necessário parar e confrontar essa dor. Quanto mais se adia esse processo, maior a probabilidade de adoecimento. Não existe um momento certo para retomar a rotina, mas é fundamental que, em algum ponto, a pessoa consiga entrar em contato com suas emoções e vivenciar o processo do luto” finaliza Ellen.