Medicamento não ajuda apenas devido a perda de peso; entenda
A relação entre medicamentos usados no tratamento da obesidade e a saúde das articulações tem chamado a atenção de especialistas. Agora, além da perda de peso, estudos começam a investigar os possíveis efeitos do Mounjaro (tirzepatida) na redução da dor e na preservação da cartilagem em pacientes com osteoartrite. A condição afeta milhões de brasileiros e compromete principalmente os joelhos.
Recentemente, uma pesquisa publicada na Revista da Associação Brasileira da Dor Musculoesquelética indica que o Mounjaro também pode atuar na saúde das articulações, com impacto na redução da dor e na preservação da cartilagem. “Na prática clínica, especialistas observam que os benefícios envolvem não apenas a diminuição da sobrecarga sobre os joelhos, mas também mecanismos anti-inflamatórios que interferem diretamente no desgaste articular e nos receptores ligados à dor”, explica Mario Zambon, ortopedista, especialista em tratamentos em dores de difícil controle e mestre em gerontologia, esclarece sobre a eficiência do medicamento na região do corpo.
O especialista pontua que ortopedistas têm observado que os benefícios do Mounjaro para dor no joelho seguem dois caminhos complementares.
- O primeiro é estrutural: menos peso significa menor sobrecarga mecânica sobre joelhos, reduzindo o estresse constante nas articulações.
- O segundo é metabólico e inflamatório: o medicamento atua na modulação de mediadores inflamatórios e em receptores ligados à dor, interferindo em mecanismos biológicos que participam do desgaste articular.
Mounjaro x dor no joelho
Confira abaixo os principais pontos sobre a relação entre o Mounjaro e a saúde das articulações:
1 – O medicamento tem impacto direto na inflamação articular ou o efeito sobre a dor é apenas consequência do emagrecimento?
“O medicamento atua de duas maneiras: pelo emagrecimento e também de forma direta na articulação. Ele age nos receptores da dor no joelho diminuindo a dor, reduz substâncias inflamatórias produzidas por macrófagos, diminui mediadores inflamatórios e favorece um ambiente menos agressivo dentro da articulação. Além disso, inibe enzimas que degradam a cartilagem e estimula a contribuindo para proteger o tecido articular”, explica.
2 – Pacientes com dor intensa podem esperar melhora nas primeiras semanas ou os benefícios são mais tardios?
“Os análogos do hormônio intestinal semelhante ao glucagon tipo 1 têm efeito analgésico direto e reduzem a inflamação, o que pode gerar melhora progressiva já no início do tratamento. No entanto, os benefícios mais robustos ocorrem ao longo das semanas, com a combinação entre redução da inflamação e perda de peso.”
3 – Quais perfis de pacientes se beneficiam mais dessa estratégia e quem deve ter cautela?
“Mais se beneficiam os pacientes com osteoartrite leve a moderada, dor crônica e inflamação leve a moderada, especialmente aqueles com obesidade ou sobrepeso associados a doenças metabólicas. Devem ter cautela pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, portadores da síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo dois, gestantes, lactantes, pacientes com pancreatite ativa ou anterior, pessoas com cálculos ou lama biliar e indivíduos com diabetes mal controlado com episódios de queda intensa da glicose”, afirma.
4 — De que forma a perda de peso promovida pelo Mounjaro reduz a dor e a sobrecarga na articulação do joelho?
“A osteoartrite é agravada pela obesidade tanto pelo excesso de carga mecânica sobre o joelho quanto pelo estado constante de inflamação de baixo grau provocado pelo tecido adiposo. Quando o paciente perde peso, mesmo de forma moderada, ocorre redução significativa da pressão aplicada sobre a articulação, diminuição das substâncias inflamatórias e melhora da mobilidade. A perda de peso entre 5% e 10% já se associa a diminuição importante da dor e melhora funcional, contribuindo diretamente para o alívio dos sintomas no joelho.”
5 – O Mounjaro pode ajudar a retardar a progressão da osteoartrite e postergar a necessidade de cirurgia?
“Estudos trazem evidências de redução da perda de cartilagem, menor necessidade de infiltrações e queda na taxa de cirurgias em pacientes que utilizaram medicamentos desse grupo. Esses resultados indicam potencial para retardar a evolução da doença, reduzir a degeneração articular e adiar a necessidade de cirurgia”, conclui.