Com a chegada das férias de julho, milhões de brasileiros aproveitam o período para pegar a estrada ou embarcar em voos rumo ao descanso. Mas, em meio ao planejamento das malas e dos roteiros, um detalhe importante costuma passar despercebido: permanecer sentado por muitas horas pode aumentar o risco de trombose venosa profunda (TVP).

A condição acontece quando um coágulo se forma nas veias profundas, geralmente nas pernas, dificultando a circulação sanguínea. Em situações mais graves, esse coágulo pode se desprender e atingir os pulmões, provocando uma embolia pulmonar, considerada uma emergência médica.
De acordo com a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Tatiana Losada, viagens com duração superior a quatro horas merecem atenção especial. “Quando a pessoa permanece muito tempo na mesma posição, a circulação das pernas fica mais lenta, favorecendo a formação de coágulos. Em alguns casos, eles podem migrar para os pulmões e causar uma embolia pulmonar, que representa um risco importante para a saúde”, explica.
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Quem precisa redobrar os cuidados?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver trombose, alguns grupos apresentam maior predisposição. Entre eles estão pessoas com histórico da doença, obesidade, câncer, gestantes, mulheres no pós-parto, usuários de anticoncepcionais ou terapia hormonal, idosos e pacientes que passaram recentemente por cirurgias. Segundo a especialista, nesses casos, o planejamento da viagem deve incluir cuidados extras para preservar a circulação.
Pequenas atitudes fazem diferença
A boa notícia é que medidas simples ajudam a reduzir o risco durante o percurso. Sempre que possível, vale levantar para caminhar alguns minutos, movimentar os pés e tornozelos enquanto permanece sentado, evitar cruzar as pernas e manter uma hidratação adequada. “Mexer as pernas regularmente e beber água ao longo da viagem são atitudes simples, mas muito importantes para manter o fluxo sanguíneo e diminuir o risco de trombose”, orienta a médica.
Meias de compressão podem ajudar?
Outro recurso bastante conhecido são as meias de compressão. Elas favorecem o retorno do sangue das pernas e podem ser indicadas para pessoas com insuficiência venosa ou fatores de risco para trombose.
No entanto, a Dra. Tatiana faz um alerta: o uso não deve ser feito por conta própria. “As meias compressivas precisam ser indicadas de forma individualizada. O modelo e o nível de compressão variam de acordo com cada paciente, por isso a avaliação com um cirurgião vascular é fundamental”, destaca.
Antes de viajar, vale conversar com um especialista
Quem já teve trombose ou apresenta condições que aumentam significativamente o risco deve procurar orientação médica antes de viagens prolongadas. Dependendo do caso, outras estratégias preventivas podem ser recomendadas. “A viagem deve ser um momento de descanso e lazer. Com alguns cuidados simples e acompanhamento médico quando necessário, é possível reduzir bastante o risco de trombose e aproveitar as férias com mais tranquilidade”, conclui a cirurgiã vascular.