Marcapasso: médico tira dúvidas sobre uso do dispositivo

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A pessoa que tem marcapasso pode usar celular? Treino em academia está liberado? Confira!

Com o avanço da medicina e o aumento da longevidade, dispositivos cardíacos como o marcapasso passaram a fazer parte da vida de milhares de pessoas, contribuindo para mais segurança e qualidade de vida. Porém, junto com o implante, ainda surgem muitas dúvidas. No Setembro Vermelho, mês em que se destaca a campanha de prevenção às doenças do coração, o cirurgião cardíaco Marcelo Sobral, presidente da Associação Brasileira de Estimulação Cardíaca (ABEC), responde a dúvidas comuns sobre o uso do dispositivo.

Quem usa o aparelho deve visitar o médico regularmente para assegurar o funcionamento adequado (Foto: Magnific)

1 – Passar por detector de metais em bancos e aeroportos afeta o marcapasso?

Sim. Esses equipamentos podem gerar interferência eletromagnética momentânea, mas dificilmente provocam danos ou desregulam permanentemente o dispositivo. “O paciente deve evitar permanecer próximo a detectores antifurto de lojas e, quando possível, manter uma distância de 15 a 20 centímetros”, recomenda o médico Marcelo Sobral.

2 – Quem usa marcapasso não pode viajar de avião?

Pode, sim. A presença do dispositivo, cuja finalidade é regular os batimentos cardíacos, não contraindica viagens aéreas.

3 – Depois do implante, a pessoa pode dormir sobre a região e até dirigir?

Depende. Em geral, recomenda-se evitar dormir sobre o local da cirurgia necessária para o implante do dispositivo (região do tórax). Também é prudente evitar movimentos amplos do braço por cerca de três a quatro semanas após o implante. Já a liberação para dirigir depende do dispositivo e da indicação clínica, podendo variar de um mês a até seis meses em determinadas situações.

4 – A pessoa que usa marcapasso pode praticar esportes?

Sim. A atividade física não é proibida, contudo, esportes de contato, com mais impacto na região do implante, merecem atenção. O marcapasso é bastante resistente, no entanto, os eletrodos são mais sensíveis a traumas de grande intensidade. Isso vale também para musculação: exercícios podem fazer parte da rotina, mas cargas excessivas e esforço de alta intensidade podem aumentar o estresse sobre o dispositivo e até provocar desgaste ou fratura do eletrodo.

5 – Um choque elétrico de alta tensão altera o funcionamento do marcapasso?

Pode alterar. A possibilidade de interferência depende da intensidade e do tempo de exposição à corrente elétrica. Choques domésticos de baixa tensão, em geral, dificilmente causam problemas, mas exposições de maior intensidade exigem avaliação médica.

6 – O marcapasso corrige problemas como infarto?

Não. O dispositivo atua principalmente no tratamento de batimentos cardíacos lentos. Dispositivos como marcapasso, desfibrilador (usado para tratar arritmias cardíacas) e ressincronizador (indicado para coordenar as batidas do coração) não substituem medicamentos nem previnem um infarto, mas são importantes ferramentas de suporte à saúde cardiovascular.

7 – Quem tem marcapasso pode usar celular e eletrodomésticos?

Pode. De maneira geral, não há restrição ao uso de celulares e eletrodomésticos em boas condições. Em equipamentos como o micro-ondas, porém, é recomendável manter certa distância durante o funcionamento.

Troca de bateria

O marcapasso não dá sinais, assim, é importante manter contato próximo com o especialista para saber a hora certa de realizar a troca de bateria, cuja duração depende de uma série de fatores como modelo, programação e tempo de uso. Importante: o paciente pode realizar exames como raio X, ultrassonografia, tomografia e cateterismo, mantendo atenção à ressonância magnética e eletroneuromiografia (exame que avalia o funcionamento de nervos e músculos), uma vez que utilizam corrente elétrica.