Como preparar a sala de estar para receber os amigos

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Nos projetos de arquitetura de interiores, a compilação dos ambientes que integram a área social revela a incumbência de atender bem não apenas os moradores, como também aqueles que são recepcionados. Nesse conjunto, a sala de estar continua a ser o espaço direcionado para o acolhimento. “Absolutamente toda a composição precisa ser convidativa e inspirar o conforto”, observa a arquiteta Patricia Penna, à frente de seu escritório homônimo.

Como preparar a sala de estar para receber os amigos
Na configuração das salas de estar, a proximidade entre as pessoas fortalece um traço marcante na natureza humana: o desejo de estabelecer vínculos e conviver. Neste projeto, o tapete demarca a área onde a arquiteta Patricia Penna dispôs o sofá e a dupla de poltronas de maneira a estimular o contato visual direto | FOTO: Leandro Moraes

Por essência, de acordo com ela, o ambiente era voltado essencialmente à convivência. Mas com o advento mais massivo da televisão, a partir das décadas de 1970 e 1980, o equipamento se efetivou. “Essa incorporação passou a fazer sentido pelo entretenimento que se tornou habitual na vida contemporânea. Entretanto, quando o projeto possibilita, gosto de considerar uma área especialmente para a TV. Isso resgata o contato que desde sempre foi o basilar na sala de estar”, pontua.

Incorporada no painel de mármore travertino, a TV está presente nesta sala de estar elaborada pela arquiteta Patricia Penna, porém como um destaque muito menor. O cenário formado pela presença dos sofás, poltronas e as mesas – principalmente a de design orgânico –, ‘fecha’ o ambiente evocando a socialização. FOTO: JP Image

Indagada sobre como planejar o ambiente ideal, a profissional explica que a principal premissa é, independente do estilo decorativo, trabalhar com a proporcionalidade das peças em prol da fluidez e uma circulação evidente e facilitada. Patricia também aborda a importância de determinar funções através do mobiliário. Isso inclui sofás, poltronas e mesas, bem como o tapete, além da coerência entre tons, texturas, acabamentos e iluminação harmônica.

Ilhas de convivência

Segundo a profissional, o arranjo em pequenas ilhas, resultado da configuração dos mobiliários no ambiente, estimula a interação humana. Na prática, layouts simétricos e funcionais, como a disposição de um sofá com duas poltronas ou dois sofás, um de frente para o outro, e separados por uma mesa de centro, representam duas fórmulas clássicas aplicadas na arquitetura de interiores.

Com a sala de estar integrada à varanda, o formato ‘U, mencionado pela arquiteta Patricia Penna, potencializa o diálogo entre anfitriões e visitantes. FOTO: JP Image 

Esse pensamento é muito presente em salas de estar com medidas generosas e, até mesmo em áreas comuns de hotéis, por exemplo. “Desenhos em ‘L’ ou em ‘U’, costumam responder muito bem”, diz ela. A arquiteta acrescenta que em áreas compactas, com medidas que comportam apenas um sofá, se torna improvável fugir da sua disposição direta para a TV.

As possibilidades descritas estimulam o olhar que, por sua vez, incentiva acomunicação. “Na arquitetura, nosso papel inclui criar condições favoráveis para lembrar que a conexão entre indivíduos sempre se elevará como algo primordial. Somos resultado da troca de experiências, ideias e o fortalecimento dos vínculos”, analisa Patricia.

A escolha do mobiliário

O design curvo deste sofá escolhido pela arquiteta Patricia Penna foi valorizado pela ausência de braços que, de um lado foi substituído pela mesa de apoio lateral e, do outro, pelo encaixe modular das peças. FOTO: JP Image

Na especificação das peças, a arquiteta revela sua preferência por sofás sem braços. E, sempre que possível, mais alongados, com o intuito de acomodar mais pessoas. E além das poltronas, peças coringas para completar a sala de estar, ela também enumera os banquinhos e os pufes que, além de simplificar a movimentação de acordo com a necessidade, cumprem a finalidade de apoio. “O carrinho-bar é bastante conveniente como um aparador e as gavetas que ajudam na organização e no servir”, contextualiza.

Uma recepção exímia

Considerando que toda a área social é direcionada para tornar o morador o melhor anfitrião, Patricia também avalia que itens adicionais como um bar e uma adega são muito bem-vindos para ampliar a experiência de uso da sala de estar. “Essas inclusões dispensam a movimentação até a área gourmet ou outro ambiente que já incluiu essas possibilidades”, indica.

Por isso, ela vê com bons olhos a elaboração de um cantinho que possa receber essas atribuições em uma menor escala. “Nada impede que o projeto tenha uma grande adega climatizada e uma versão para poucos rótulos em um ponto da sala de estar”, pondera.

Nas imagens acima, a arquiteta Patricia Penna explorou o conceito de apoio do carrinho-chá como dois aparadores | FOTOS: Leandro Moraes