De um piquenique à cabana de lençóis, fonoaudióloga explica como brincadeiras simples criam oportunidades para conversar, imaginar e aprender novas palavras
Um piquenique no parque, uma receita preparada em família ou uma história inventada debaixo de uma cabana de lençóis. No Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, experiências simples podem render mais do que diversão: são oportunidades para ampliar o vocabulário, compartilhar ideias e estimular a linguagem dos filhos.

Adriana Fiore fonoaudióloga infantil explica que o valor dessas atividades está na troca entre adultos e crianças. Escutar, comentar o que acontece e dar tempo para o filho participar fazem parte desse processo.
“Estimular a linguagem não significa transformar a brincadeira em aula ou pedir que a criança repita palavras o tempo todo. É conversar de verdade, acompanhar o que desperta o interesse dela e dar espaço para que também tenha algo a dizer”, afirma.
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Para aproveitar a data, a especialista sugere dez experiências que podem ser adaptadas à idade e ao desenvolvimento de cada criança.
Confira 10 atividades para fazer em família e ajudar na fala das crianças
1-Fazer um piquenique
A diversão começa antes de sair de casa. Escolher o que levar, separar os alimentos e decidir onde estender a toalha rendem boas conversas. Durante o passeio, vale comentar sabores, cores e o que acontece ao redor.
2-Preparar uma receita juntos
Misturar, colocar, mexer e esperar: a cozinha apresenta palavras ligadas a ações e quantidades. Uma receita simples também permite acompanhar uma sequência e, depois, contar como o prato foi preparado.
3-Inventar uma história
Um cachorro que foi à Lua ou uma menina que encontrou um sapato gigante podem dar início à brincadeira. O adulto começa e deixa a criança acrescentar personagens e acontecimentos, sem exigir uma história perfeita.
4-Brincar de faz de conta
Montar um mercadinho, restaurante ou consultório cria situações para fazer pedidos, negociar e experimentar diferentes papéis. Vale deixar que a criança decida quem será e como a brincadeira vai acontecer.
“Quando o adulto entra no faz de conta e acompanha as ideias do filho, surgem motivos reais para conversar. A criança pode explicar o que quer, combinar regras e inventar soluções”, comenta Adriana.
5-Passear no parque
Uma folha diferente, uma formiga carregando comida ou o barulho de um pássaro podem puxar uma conversa. A proposta é observar junto e compartilhar descobertas, sem transformar o passeio em uma sequência de perguntas.
6-Montar uma cabana com lençóis
Escolher os materiais, pedir ajuda e decidir o que a cabana será já fazem parte da experiência. Lá dentro, pode surgir uma casa, uma nave espacial ou um esconderijo, com histórias criadas em conjunto.
7-Resgatar brincadeiras da infância dos pais
Esconde-esconde, amarelinha e outras brincadeiras permitem explicar regras, combinar a vez de cada um e conversar sobre o que aconteceu. Os adultos também podem contar como brincavam quando eram pequenos.
8-Olhar fotos antigas em família
Rever um aniversário ou uma viagem ajuda a recuperar lembranças e contar acontecimentos. Os pais podem compartilhar detalhes e abrir espaço para a criança dizer o que lembra, reconhece ou deseja saber.
9-Cantar músicas e brincar com rimas
Cantigas com gestos, sons de animais e palavras que rimam convidam à participação. A criança pode escolher a música, acompanhar os movimentos ou inventar uma versão engraçada.
10-Ler juntos antes de dormir
Além de acompanhar o texto, vale olhar as ilustrações, comentar os personagens e imaginar o que acontecerá depois. A leitura pode seguir a curiosidade da criança, inclusive quando ela quer voltar à mesma página.
Para Adriana, nenhuma dessas propostas precisa virar uma tarefa com resultado esperado. Gestos, olhares, sons e palavras são formas de participar, e o adulto pode acolher essas iniciativas sem apressar as respostas.
“O presente também pode ser uma tarde juntos, uma brincadeira escolhida pela criança ou uma história que só aquela família conhece. São momentos que viram lembranças e dão espaço para a linguagem crescer”, conclui.