Problemas graves durante a gestação levam ao parto prematuro; mães enfrentam o medo e as intercorrências para ficar com os filhos dentro da UTI neonatal
A gravidez da modelo e influenciadora Larissa Chehuen, seguia normalmente até perto da 20ª semana, quando ela descobriu que enfrentava uma insuficiência placentária. A condição fazia com que a placenta não oferecesse um ambiente favorável para o crescimento da filha, Eduarda. Era o primeiro desafio a vencer diante de tantos outros.

Repouso absoluto
Com a pressão arterial elevada e o diagnóstico de pré-eclâmpsia, a modelo precisou interromper a carreira, entrar em repouso e passar a viver uma gestação marcada pela expectativa de conseguir prolongar a gravidez o máximo possível.
A cada semana conquistada, uma nova meta: primeiro 24 semanas, depois 28, 32 e, se fosse possível, 36. Mas o parto aconteceu antes do planejado. Eduarda nasceu com apenas 27 semanas de gestação e 580 gramas, dando início a quase cinco meses de internação na UTI neonatal.
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A UTI neonatal
O período que deveria ser marcado pela preparação para a chegada da filha se transformou em uma rotina de incertezas, procedimentos médicos e medo. Durante a internação, Eduarda enfrentou, entre outras complicações, apneias, infecções, uma parada cardiorrespiratória, choque séptico e uma cirurgia. A bebê deixou a UTI após 145 dias e foi para casa em novembro, pesando cerca de 3 quilos.
Para Larissa, no entanto, a experiência não foi apenas sobre sobreviver aos dias difíceis. Foi também sobre aprender a ser mãe em um cenário completamente diferente daquele que havia imaginado.
Em entrevista, ela relembra os momentos mais delicados da gestação e da internação e fala sobre o medo, o apoio da família, a fé e as pequenas conquistas que ganharam um significado enorme ao longo dos cinco meses de UTI.

Como foi para você quando descobriu que seu bebê iria nascer tão prematuro?
“Foi um baque muito grande. Fiquei muito triste porque eu amava estar grávida e sabia que, na melhor das hipóteses, ela iria nascer e ir direto para a UTI. Tive que viver um luto da gravidez perfeita que tanto sonhei. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida me dar conta de que a Eduarda poderia não sobreviver.”
Quais foram os maiores desafios emocionais e práticos que você enfrentou durante esse período?
“Emocionalmente falando, acho que ninguém te prepara para o medo de perder um filho. Tenho para mim que deve ser a maior dor do mundo. Uma coisa é acontecer algo com você, mas pior ainda é ser algo com seu filho. Foi muito duro aprender a ser mãe neste cenário. E, na prática, a rotina cansativa de UTI nos deixava exaustos. Cada dia um desafio diferente, entre apneias, infecções, parada cardiorrespiratória, choque séptico, cirurgia… e tudo isso por não só um, mas por cinco longos meses.”
Como a internação da bebê afetou sua rotina, sua relação com a família e sua própria saúde emocional?
“Eu larguei absolutamente tudo o que fazia para cuidar dela. Minha família me ajudou muito neste processo, foi um momento de muita união e, com certeza, sem este apoio eu não teria conseguido. E, para cuidar da minha saúde emocional, continuei fazendo terapia uma vez por semana. Confesso que às vezes eu cancelava porque não conseguia falar sobre o assunto, mas me forçava a fazer porque sabia que me faria bem.”
O que você gostaria que as pessoas entendessem sobre a experiência de ser mãe de um bebê na UTI neonatal?
“É uma experiência traumática, mas principalmente transformadora. Uma “mãe de UTI”, como carinhosamente nos chamamos, aprende a maternar numa situação extrema de muita dor. A gente aprende a valorizar o ordinário que talvez passe batido por muitas mães. Um colo, um banho, uma roupinha… Eu demorei três semanas para poder pegar ela nos meus braços. Durante cinco meses de UTI, eu pude dar apenas um banho e a primeira roupinha eu pude colocar depois de quatro meses, quando ela saiu do CEPAP (respirador) para o cateter e ganhou um “upgrade” da incubadora para o bercinho. Então, tudo para uma mãe de UTI tem outro valor. E eu sou grata por ter o privilégio de enxergar a vida desta forma depois de tudo que passamos.”
O que ou quem mais te deu força para enfrentar esse momento?
“Minha fé de que tudo daria certo, que no final eu levaria a Eduarda para casa e que Deus estava agindo mesmo em silêncio.
E meu marido, que foi o alicerce da nossa família e permitiu que eu me dedicasse 200% à nossa filha, com paz no coração de que ele estava tomando conta de todo o resto. Enquanto eu cuidava da Eduarda, ele cuidava de nós duas. Não teria conseguido sem minha relação íntima com Deus e com meu parceiro de vida.”