Foto: Guilherme Pucci
O que muda em um banheiro de casal? Quando duas cubas realmente valem a pena? Descubra!
É fácil se apaixonar por um banheiro pronto, com àquela cuba em desenho diferente, a torneira conversando com os revestimentos e a bancada em material ideal e dimensão confortável. Tudo parece resolvido até chegar a hora de levar a referência para dentro de casa e descobrir que a cuba escolhida talvez ocupe espaço demais e que a bancada ficou pequena para os produtos do dia a dia.
É nessa hora que a escolha deixa de ser apenas uma questão de gosto. Para o arquiteto Bruno Moraes, à frente do escritório BMA Studio, essas peças precisam ser pensadas em conjunto e o ponto de partida deve ser a pessoa que vai ocupar aquele espaço.
“Quando pensamos em um banheiro, precisamos pensar em quem vai usá-lo. Uma pessoa que mora sozinha tem uma rotina, um casal outra, uma família com crianças ou idosos terá outra também. O bom projeto pode acompanhar essas diferenças e fazer com que o ambiente trabalhe a favor de quem mora na casa”, elucida.
Rotinas e usos
O primeiro passo é entender que não existe uma combinação universal certa para todos os banheiros e lavabos. Um banheiro de uma pessoa que mora sozinha pode ter uma bancada mais enxuta. Já em uma casa com crianças, a altura e a resistência dos materiais ganham mais peso na resposta. E para moradores mais velhos, circulação, ergonomia e facilidade de uso orientam as escolhas.
Até a quantidade de objetos que costuma ficar sobre a bancada muda de uma casa para outra. Há quem use o espaço apenas para sabonete e escova de dentes e quem precise acomodar cosméticos, produtos para cabelo, barbeador ou maquiagem. Por isso, a bancada precisa acompanhar essa rotina, e não o contrário, afirma o arquiteto.

O mesmo vale para a quantidade de usuários. Em uma suíte de casal, duas cubas podem facilitar a rotina de quem se arruma ao mesmo tempo. Mas para isso, é preciso ter uma bancada com largura suficiente para que as duas peças não eliminem a área de apoio. Em alguns casos, uma única cuba maior, acompanhada de uma superfície generosa, pode oferecer mais conforto.
“Duas cubas funcionam quando existe espaço para que cada pessoa tenha seu lugar. Se a bancada fica apertada para acomodar as duas, talvez uma cuba só seja uma solução mais confortável”, comenta Bruno.
Então, a cuba influencia a bancada?
A escolha da cuba e a dimensão da bancada caminham juntas. Uma peça grande pode exigir uma superfície mais profunda e deixar pouco espaço para apoio. Enquanto isso, uma cuba pequena pode liberar bancada, mas precisa ter dimensões adequadas para que o uso não seja desconfortável.
Em banheiros compactos, essa conta fica ainda mais delicada. Pois a bancada precisa acomodar a cuba sem avançar demais sobre a circulação e, ao mesmo tempo, oferecer espaço para os objetos que fazem parte da rotina.
Por isso, não existe uma metragem única que determine o tamanho ideal de um banheiro. Já que a sensação de conforto depende da própria pessoa, do formato do cômodo, da posição da porta, dos equipamentos e da área de circulação. Ainda assim, quanto menor o ambiente, mais importante se torna trabalhar sob medida. “Em ambientes pequenos, cada centímetro precisa ser pensado. Às vezes, reduzir alguns centímetros da profundidade da bancada melhora a circulação e deixa o banheiro muito mais agradável de usar”, diz o arquiteto.
De apoio, embutida, sobreposta ou esculpida?

Entre as possibilidades disponíveis, a cuba de apoio é uma das que mais comuns. Instalada sobre a bancada, ela deixa o objeto bastante aparente e pode se transformar em um elemento de destaque na composição. Também permite brincar com diferentes formatos e materiais de bancada, mas ocupa espaço vertical e precisa ser considerada na altura final do conjunto.

Já a cuba de embutir fica instalada por baixo ou dentro da superfície, criando uma solução mais integrada e que costuma facilitar a limpeza da área ao redor. É uma alternativa bastante associada à praticidade, principalmente quando a facilidade de limpeza ao redor da peça pesa na decisão.

Seguindo…
Na cuba de sobrepor, parte da peça fica apoiada sobre a superfície e outra parte é encaixada no recorte da bancada. O resultado fica entre a presença visual da cuba de apoio e a integração da embutida.

Há ainda as cubas de semi-encaixe, úteis quando a bancada precisa ter pouca profundidade, e as cubas esculpidas, produzidas junto à própria bancada ou a partir do mesmo material. Estas últimas permitem criar desenhos contínuos, com diferentes soluções para o escoamento e para o acabamento.
Cada modelo muda a relação entre cuba, bancada e torneira. Por isso, a escolha não deve acontecer de forma isolada. “Eu gosto de pensar primeiro no conjunto. A cuba, a torneira e a bancada precisam conversar entre si e também com o espaço disponível. Quando uma dessas peças é escolhida sozinha, podemos acabar comprometendo a ergonomia ou a área de apoio”, explica Bruno.
Sobre as bancadas

Mármore, granito, quartzo, porcelanato, lâmina sinterizada e superfícies ultracompactas são apenas algumas opções no leque de revestimentos das bancadas, cada uma com características próprias de resistência, manutenção, acabamento e custo.
“Uma pedra natural pode reforçar uma proposta mais sofisticada, enquanto um porcelanato permite explorar cores, padrões e texturas com maior liberdade”, diz o profissional.
Em projetos que pedem continuidade visual, a bancada esculpida no próprio material da superfície pode criar um resultado bastante uniforme. Já quem busca contraste pode usar a bancada como elemento de destaque diante de revestimentos mais neutros.
A escolha do material também precisa considerar a presença constante de água e produtos de higiene. Por isso, além da aparência, vale observar como a superfície se comporta diante da umidade, quais cuidados de manutenção exige e como será feito o acabamento das bordas e dos encontros com a parede.
E há outro detalhe que costuma aparecer tarde demais, a espessura da bancada, o tipo de saia ou frontão, o recorte da cuba e o espaço necessário para o gabinete também interferem no resultado final.
Aproveitando o lavabo

Como não recebe a mesma frequência de uso e atividades de um banheiro, o lavabo costuma abrir espaço para experimentação e isso pode ser através de uma cuba de formato inusitado, ou uma pedra com desenho marcante, ou uma torneira estrutural, ou uma composição em que a própria cuba vira parte importante da decoração.
“Gosto quando o lavabo tem personalidade e foge um pouco do banheiro convencional. É um espaço que permite ousar em materiais e formas, mas a pessoa ainda precisa conseguir lavar as mãos com conforto. O projeto pode surpreender sem criar dificuldade para uma tarefa tão simples”, comenta Bruno.
É no conhecimento da rotina e dos gostos, e não apenas na fotografia do ambiente pronto, que a escolha mostra se realmente deu certo no final.