Vontade de beliscar? A explicação pode estar no seu DNA!

Nutricionista explica que o hábito de “roubar” lanchinhos pode ser uma característica biológica

Sabe aquela vontade de beliscar algo para comer ao longo do dia e que é o vilão de muitas dietas? Isso pode ser o seu DNA falando. Se você já tentou mil métodos e sempre acaba escorregando em um lanchinho fora de hora, saiba que a ciência tem uma explicação que vai muito além da simples falta de foco ou de autocontrole.

O que explica a vontade de beliscar?

Segundo Nicolle Albanezi, especialista em nutrição de precisão, o comportamento de estar sempre buscando algo para mastigar é, muitas vezes, uma resposta biológica programada. “Existem genes que controlam nosso comportamento e nossa relação com os hormônios. Então, às vezes, não temos bons receptores para entender os sinais de fome e saciedade. Tem genes que controlam esse ‘beliscar’ e a gente chama de pessoa beliscadora”, explica a nutricionista.

Isso significa que, para muitas pessoas, o desejo constante de comer não é uma falha ou falta de força de vontade. Mas uma característica genética que exige estratégias específicas, e a virada de chave pode estar na nutrição de precisão com a interpretação do exame nutrigenético.

Como é feito o exame?

Esse exame é realizado através da saliva para mapear as predisposições de cada indivíduo. Essa análise permite entender como o corpo tende a funcionar. Assim, identificando se há uma facilidade maior para acumular gordura ou sensibilidade a determinados nutrientes, por exemplo.

“Quando você trata com um exame nutrigenético, você entende as predisposições e traz uma conduta muito mais aproximada com o esforço que a pessoa realmente precisa fazer. Não é só fazer o esforço de emagrecer, é tratar o problema na raiz. Até porque, as pessoas tentam mil dietas e, se elas não funcionam, elas se cansam”, pontua a especialista.

Tratando a “vontade de beliscar”

Para quem descobre que tem a genética “beliscadora”, o segredo está em criar um ambiente que não desperte gatilhos e que traga conforto em vez de trauma. O processo de reeducação alimentar precisa ser agradável para que a pessoa consiga mantê-lo a longo prazo, o que inclui pensar em substituições inteligentes e mais saciantes. “É preciso criar estratégias para que essa pessoa não caia nesses gatilhos de belisco, com uma dieta que a deixe mais saciada e trazendo opções de docinhos e coisas mais palatáveis que estejam próximas do que ela gosta”, conta. 

No fim das contas, não existe uma dieta que seja perfeita e universal, mas sim aquela que funciona para o seu perfil biológico e os resultados aparecem com o tempo. “Nosso trabalho é simplificar e fazer a dieta ser agradável, porque se isso passa a ser um transtorno, você não vai querer seguir”, finaliza.