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Neste mês, celebramos o Abril Marrom, campanha que promove a prevenção e o combate à cegueira e reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento oftalmológico regular.
A iniciativa conscientiza a população sobre os cuidados com a saúde ocular e alerta que exames periódicos e tratamento adequado podem evitar grande parte das doenças que levam à perda da visão. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) indicam que exames realizados a tempo podem prevenir ou tratar até 80% dos casos de cegueira. O principal desafio ainda é a falta de acompanhamento regular e a procura tardia por atendimento médico, já que muitas doenças oculares evoluem de forma silenciosa e só apresentam sintomas em estágios avançados.
De acordo com o médico oftalmologista Vinicius Marques, as principais causas de cegueira evitável no Brasil atualmente são a catarata, o glaucoma, a retinopatia diabética e a degeneração macular relacionada à idade. “A catarata ainda é a maior causa de cegueira no mundo, mesmo tendo tratamento cirúrgico altamente eficaz, enquanto o glaucoma preocupa por ser silencioso e causar perda irreversível da visão sem sintomas iniciais”, explica.
Diversos riscos
Já o também oftalmologista Gustavo Bonfadini alerta que, além das doenças mencionadas por Vinicius, infecções e traumas oculares podem levar à perda visual quando não tratados corretamente. “A retinopatia diabética tem crescido muito acompanhando o aumento do diabetes na população e pode ser evitada com controle da glicemia e acompanhamento oftalmológico regular”, destaca.
Vinicius ressalta que muitas pessoas só procuram o oftalmologista quando já estão com a visão comprometida porque diversas doenças oculares evoluem sem sinais evidentes. “O glaucoma é um exemplo clássico, já que o paciente só percebe quando a perda visual é significativa. Além disso, há uma cultura de buscar atendimento apenas quando surgem sintomas. A visão é adaptativa e o cérebro compensa pequenas perdas, o que acaba atrasando o diagnóstico”, pontua.
Sobre a prevenção, o oftalmologista afirma que uma consulta oftalmológica completa é capaz de identificar a maioria das doenças precocemente. “Entre os exames mais importantes estão a medida da pressão intraocular, o mapeamento de retina e a avaliação do nervo óptico. Em alguns casos, exames complementares como tomografia de coerência óptica (OCT) e campo visual ajudam a detectar alterações antes mesmo do surgimento de sintomas”, orienta.
Cuidado com as telas
Outro fator que pode afetar a visão é o uso de telas. Gustavo Bonfadini explica que o principal impacto está relacionado à síndrome da visão digital, caracterizada por fadiga ocular, olho seco e desconforto visual. “Não há evidências científicas robustas de que telas causem cegueira, mas o estilo de vida associado ao uso excessivo, com menos tempo ao ar livre, pode contribuir para o aumento da miopia, especialmente em crianças e adolescentes”, ressalta.
Vinicius reforça que o principal impacto das telas está associado ao cansaço visual, olho seco, dor de cabeça e dificuldade de foco, e não diretamente a doenças graves. “O uso prolongado reduz a frequência do piscar e prejudica a lubrificação dos olhos, podendo agravar condições já existentes. Além disso, em crianças, o excesso de telas pode contribuir para o aumento da miopia, o que exige maior atenção ao longo da vida”, explica.
O especialista também destaca que o acompanhamento oftalmológico deve começar ainda na infância. O ideal é que a primeira avaliação ocorra no primeiro ano de vida e seja repetida na fase pré-escolar, com consultas periódicas ao longo da vida. A partir dos 40 anos, as pessoas devem intensificar o cuidado, principalmente aquelas com fatores de risco, como diabetes ou histórico familiar de doenças oculares.
Por fim, Gustavo Bonfadini conclui que o acompanhamento deve começar na infância e seguir ao longo da vida, com consultas regulares mesmo sem sintomas. Após os 40 anos, a frequência deve aumentar devido ao risco de glaucoma e presbiopia, e, após os 60 anos, o cuidado deve ser ainda mais rigoroso por causa da maior incidência de catarata e degeneração macular. “O mais importante é entender que a prevenção começa antes dos sintomas, pois a saúde ocular depende de acompanhamento contínuo”.